Grécia prevê extensão dos prazos sem precisar de dinheiro extra

Fontes afirmam que governo grego vai apresentar proposta a autoridades europeias; acordo envolveria a adoção de cortes no orçamento até 2016, em vez de até 2014 

Danielle Chaves, da Agência Estado,

22 de agosto de 2012 | 12h04

LONDRES - O governo da Grécia tem uma proposta para estender em dois anos o prazo para que o país cumpra as metas de déficit sem exigir que os parceiros da zona do euro peçam mais dinheiro a seus parlamentos, segundo fontes. De acordo com as fontes, o primeiro-ministro da Grécia, Antonis Samaras, vai apresentar a proposta para o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, na reunião de hoje; para a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, na sexta-feira; e para o presidente da França, François Hollande, no sábado.

A proposta envolve permitir que a Grécia implemente os cortes no orçamento até 2016, em vez de até 2014 como determinado pelo acordo atual. Se isso for aprovado, o governo grego terá de reduzir seu déficit orçamentário em 1,5 ponto porcentual do Produto Interno Bruto (PIB) por ano, em vez de 2,5 ponto porcentual do PIB por ano como previsto atualmente. Uma extensão de dois anos custaria aos credores da Grécia pelo menos 20 bilhões de euros (US$ 24,8 bilhões), segundo autoridades do governo grego.

As fontes disseram que a Grécia quer usar 8,2 bilhões de euros destinados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para serem usados em 2015 e cobrir o restante com emissão de mais títulos do Tesouro. As novas emissões exigiriam que o Banco Central Europeu (BCE) garantisse que continuará permitindo que os detentores dos papéis os refinanciem em suas janelas de crédito tradicionais ou por meio da "assistência de crédito emergencial" do Banco da Grécia. O BCE parou de aceitar títulos gregos como colateral para suas linhas de crédito em julho.

Sob o novo plano da Grécia, o governo também pedirá um adiamento do período de pagamento do primeiro empréstimo recebido do FMI e da União Europeia de 2016 para 2020. A Grécia usou uma emissão de títulos no começo deste mês para pagar 3,2 bilhões de euros em bônus vencidos para o BCE.

Um acordo para a Grécia é tema de contínuas discussões entre os membros da troica - FMI, UE e BCE. As negociações entre a troica e o governo grego irão até setembro e determinarão se o país poderá receber ou não a próxima parcela do programa de resgate de 173 bilhões de euros, o segundo oferecido ao país. As informações são da Dow Jones.

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