EFE
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Grécia quer compensação da Alemanha por estrago da ocupação nazista

Berlim se recusa a reabrir questão que considera resolvida desde o acordo de 1960, quando o governo alemão aceitou o pagamento de US$ 115 milhões à Grécia

O Estado de S. Paulo

13 de março de 2015 | 12h22

BERLIM - A Alemanha comunicou que não aceita reabrir a discussão de compensações à Grécia pela ocupação nazista durante a segunda guerra mundial.

O primeiro ministro grego Alexis Tsipras reabriu o antigo debate sobre as reparações pela guerra no âmbito das discussões sobre a atual crise grega, como forma de enfrentar as cobranças da Alemanha pelo cumprimento das medidas de austeridade na Grécia.

Em um debate no  parlamento, o ministro disse que a Alemanha nunca compensou adequadamente a Grécia pelos estragos causados pelo nazismo.

A questão agravou as tensões entre os dois países em meio às negociações do pacote de resgate financeiro da Grécia.

O porta-voz do ministério de finanças da Alemanha, Martin Jaeger, disse que Berlim acredita que a questão foi resolvida no acordo de 1960, quando o governo alemão aceitou o pagamento de US$ 115 milhões à Grécia.


Jaeger disse em Berlim que "os alegados pedidos de pagamentos retroativos não são positivos no contexto de trabalho que devemos realizar com os gregos".

Desde o começo da crise de 2010, a Grécia não deixa de criticar o que considera uma 'vontade de dominação' da Alemanha.

Mas os contenciosos entre ambos os remontam ao século XIX, quando subiu ao trono da Grécia um rei bávaro.

Em 1830, após quatro séculos de dominação otomana, a Grécia se converteu em um estado soberano, mas sob a tutela de três grandes potências (França, Gran Bretanha e Rússia), que "impuseram um rei alemão, explica o historiador Olivier Delorme.

O rei era Oton I " não sabia nada da Grécia e chegou rodeado de bávaros que administraram o país tratando os gregos como se fossem seus criados", explicou.

A ocupação da Grécia pelos nazistas entre 1941 e 1944 é outro trauma na relação bilateral.


Os nazistas arrasaram e saquearam o país, segundo historiadores. "Durante o primeiro inverno, cerca de 100 mil gregos morreram de fome", afirma o historiador

Hagen Fleischer. E mais de 50 mil gregos judeus foram deportados para os campos de concentração.

Essa história comum entre as duas nações deixa uma imagem ruim da Alemanha perante os gregos, como mostram fotos da chanceler alemã Angela Merkel com bigode de Hitler vistas em muitas manifestações. Por outro lado, a Alemanha virou refúgio para gregos que fogem da crise: mais de 300 mil gregos vivem hoje na Alemanha.

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