Grécia quer pagar só 25% da dívida

Governo grego estaria pedindo aos credores que o valor dos novos títulos seja reduzido em 75%, abaixo do desconto já acertado de 50%

NOVA YORK , O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2011 | 03h03

A Grécia iniciou conversas diretas com os bancos que detêm bônus soberanos do país fora da estrutura do Instituto Internacional de Finanças (IIF). Nas negociações sobre o programa de troca de bônus os gregos estariam pedindo que o valor presente líquido dos novos títulos seja reduzido para 25%, bem abaixo do desconto (haircut) de quase 50% proposto pelos bancos.

As informações foram divulgadas ontem pela agência Reuters, citando pessoas com conhecimento do assunto. "A Grécia começou a conversar com os credores individualmente, só para ter a própria percepção sobre o sentimento do mercado", diz uma das fontes. Os ministros de Finanças da zona do euro devem aprovar a próxima parcela de empréstimo emergencial à Grécia na terça-feira e concordar com detalhes sobre como alavancar o fundo de resgate da região caso Itália e Espanha também solicitem ajuda financeira.

Os ministros de Finanças do bloco pediram a todos os principais partidos gregos um compromisso por escrito de suporte a reformas que vão permitir a liberação de um segundo pacote emergencial de financiamento para Atenas no valor de 130 bilhões. Esse apoio é uma condição para a liberação da sexta parcela de ajuda, sem a qual a Grécia declarará calote. Um dos líderes do partido grego, Antonis Samaras, há muito se recusava a oferecer essa garantia por escrito, mas enviou uma carta na quarta-feira, abrindo espaço para a liberação da parcela de 8 bilhões, o que deveria ter ocorrido em setembro.

"Essa será a terceira vez que decidiremos sobre a liberação da sexta (parcela), então acho que é uma terceira vez de sorte", disse uma autoridade da zona do euro. "Devemos estar em uma posição para reconhecer o recebimento dos compromissos por escrito pelas principais forças políticas da Grécia", acrescentou.

Uma segunda autoridade da zona do euro ponderou que, embora Samaras apoie as metas de reformas em sua carta, ele se distancia de alguns dos métodos para alcançá-las. Mas a autoridade também notou que um acordo suprapartidário sobre meios precisos de cumprir as metas do novo programa grego não é exigido para a liberação da parcela de empréstimos. Com a carta, "parece bem melhor que antes", afirmou.

Fundo. O primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, que também é ministro de Finanças do país, vai participar de um encontro para explicar a seus colegas da zona do euro as reformas que a Itália planeja implementar para recuperar a confiança dos mercados e tirar seus custos de financiamento de níveis insustentáveis.

A pressão do mercado sobre a terceira maior economia da zona do euro também adicionou urgência a um trabalho em finalização para alavancar o poder de fogo do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (Feef), hoje em 440 bilhões.

A tarefa tem se mostrado mais difícil que o inicialmente imaginado pelos líderes da zona do euro quando anunciaram que o tamanho do fundo poderia ser quadruplicado, para cerca de 1 trilhão, por meio de emissões e de estruturas de co-investimento. Fontes da zona do euro disseram ser difícil estimar o interesse do investidor nesses esquemas até os ministros decidirem sobre detalhes dos termos e condições de ambos. "Eu espero que fiquemos em uma posição para aprovar as diretrizes num nível político", disse a primeira autoridade da zona do euro.

Questionado se o fundo poderia começar a colocar em prática suas novas e reforçadas funções a partir do início do próximo ano, a autoridade disse: "Essa provavelmente é a expectativa que tanto os mercados quanto os políticos têm". / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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