Grécia reembolsa 3,2 bi e evita calote

Pagamento foi possível depois que o país vendeu papéis com resgate em 90 dias no mercado financeiro e obteve 4,06 bi, com juros de 4,43%

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2012 | 03h06

A Grécia evitou ontem mais uma vez o calote em seus pagamentos, em novo teste sobre sua capacidade de se manter na zona do euro. O país reembolsou um total de € 3,2 bilhões que havia tomado emprestado do Banco Central Europeu (BCE) e, com isso, evitou outra ameaça de moratória. De acordo com o Ministério de Finanças, o valor seria pago em sua integralidade graças a um entendimento com a União Europeia, que realiza uma auditoria para conceder ou não nova parcela de € 31,5 bilhões do plano de resgate ao país.

Os € 3,2 bilhões diziam respeito a títulos da dívida soberana do país que estavam com o BCE. O reembolso foi possível porque na semana passada Atenas ousou voltar aos mercados financeiros vendendo obrigações com validade de três meses, pelas quais obteve € 4,06 bilhões. Pelo valor, a Grécia teve de pagar juros de 4,43%, mas assim foi possível evitar mais uma possibilidade de default. Dentro de 90 dias, quando os papéis vendidos na semana passada tiverem de ser reembolsados aos investidores privados, Atenas espera já contar com as novas parcelas do empréstimo da Comissão Europeia, do BCE e do Fundo Monetário Internacional.

Essa foi a forma encontrada pelo Ministério da Economia para ganhar tempo, enquanto técnicos da troica - os três órgãos credores - realizam a auditoria exigida por Bruxelas, Berlim e Paris. A expectativa em Atenas é de que o resultado da investigação seja conhecido até 14 de setembro.

Por apoio. Antes disso, porém, o primeiro-ministro, Antonis Samaras, e o ministro de Finanças, Yannis Stournaras, darão início nesta semana a uma turnê pela Europa em busca do apoio de Berlim, Paris e Bruxelas. Os dois vão se encontrar com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, com o presidente da França, François Hollande, e com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, entre 24 e 26 de agosto, quando pedirão a prorrogação dos prazos de reequilíbrio orçamentário do país e de início de reembolso dos pacotes de socorro.

A eventual prorrogação permitirá a Samaras evitar um novo plano de austeridade que seria destinado a aumentar impostos e a economizar € 11,5 bilhões em gastos públicos entre 2013 e 2014. Ontem, o porta-voz do governo alemão confirmou o encontro com Merkel e admitiu que a renegociação dos prazos está na pauta, mas tentou reduzir as expectativas dos investidores. "Não se espera que haja uma grande mudança ou grandes decisões", antecipou.

A maior resistência às pretensões de Atenas vem dos conservadores da União Democrata Cristã, a agremiação de Merkel. Ontem, Volker Kauder, líder do partido, bateu forte nas pretensões de Samaras. "Os gregos devem se ater ao que eles prometeram fazer. Não há margem de manobra, nem em termos de tempo nem de substância", disse ele. "Ou será mais um acordo não respeitado. É exatamente isso que nos leva a essa crise." / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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