Lefteris Pitarakis/AP
Lefteris Pitarakis/AP

Tsipras vence nova eleição na Grécia e deve formar governo nesta semana

Com sua terceira vitória eleitoral no ano, premiê, que havia renunciado ao cargo, volta com autonomia para realizar reformas estruturais

Andrei Netto, correspondente, Paris

20 Setembro 2015 | 17h02

O líder radical de esquerda Alexis Tsipras venceu neste domingo seu terceiro desafio eleitoral do ano. Volta na segunda-feira ao cargo de primeiro-ministro da Grécia, ao qual havia renunciado em 20 de agosto. A vitória sobre o opositor conservador, Vangelis Meimarakis, da Nova Democracia, confirma a força da Coalizão Radical de Esquerda (Syriza) como maior partido político do país. 

Com este apoio da opinião pública, o premiê terá autonomia para implantar as medidas de austeridade e as reformas estruturais exigidas pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI). 

A vitória de Tsipras é a terceira do ano, após a eleição de janeiro e o referendo de julho. O resultado ficou claro quando Meimarakis reconheceu a derrota, logo após a abertura da contagem. “Syriza e Alexis Tsipras são os primeiros, e eu os felicito”, disse. Com um discurso conciliador, que lhe vale a imagem de centrista em um partido de direita, Meimarakis prometeu trabalhar pela estabilidade do país. “A Nova Democracia não foi destruída, nem acabou. É um pilar da estabilidade.”

Até a zero hora desta segunda-feira, horário de Atenas, quando 75,47% dos votos haviam sido apurados, o Syriza computava 35,4% das preferências, devendo obter 145 assentos no Parlamento, insuficiente para obter a maioria absoluta de 300 votos. Em janeiro, quando venceu as eleições, o partido havia obtido 149 cadeiras. Mas, o resultado pode ser interpretado como uma ampla vitória do ex-premiê, já que sua agremiação sofreu um racha há menos de dois meses, perdendo 25 deputados para o recém-criado Unidade Popular, ultrarradical de esquerda. 

Em segundo lugar ficou a Nova Democracia (ND), que deve confirmar o posto de maior força de oposição, com 75 cadeiras. Em terceiro lugar, o partido neonazista Aurora Dourada mais uma vez provou a fidelidade de seu eleitorado, com 7,1% dos votos e 19 cadeiras. O Partido Socialista (Pasok), aparece em quarto, com 6,4% dos votos e 17 deputados. 

A partir desta segunda-feira, o novo governo deve reeditar a coalizão com o partido populista de direita Gregos Independentes (Anel), de Panos Kammenos, ex-ministro da Defesa, que deve terminar em sexto lugar, com 10 representantes no legislativo. “Com todos os gregos unidos, nós vamos construir o futuro”, afirmou Kammenos, um líder político que defende ideias nacionalistas e de extrema direita. “Com o primeiro-ministro Tsipras, nós vamos trabalhar para sair das políticas de austeridade. O passado acabou.”

Pronto a voltar à chefia do governo, Tsipras se manifestou pela primeira vez como vitorioso via Twitter. “Diante de nós se abre a via do trabalho e das lutas”, afirmou na rede social. Minutos depois, discursou aos eleitores na Praça Klafthmonos, próxima ao centro de Atenas. “Na Europa hoje, a Grécia e o povo grego são sinônimos de resistência e dignidade, e essa luta será travada por mais quatro anos”, afirmou. “Nós teremos dificuldades pela frente, mas também teremos determinação. Não obteremos a retomada por mágica, mas ela pode acontecer pelo trabalho duro.”

O resultado foi comentado em várias partes da Europa. Maior apoiador de Tsipras na União Europeia, o presidente da França, François Hollande, considerou que “a Grécia viverá um período de estabilidade com uma maioria sólida”. Outro a congratular Tsipras foi o presidente do Parlamento Europeu, o alemão Martin Schulz: “Agora a Grécia tem um governo sólido e pronto a realizar o que precisa com rapidez.”

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