Grécia tem semana crucial para novo pacote de ajuda e desconto de dívida

Acordo fiscal para o bloco europeu ainda enfrenta ceticismo; na Grécia, a recessão se aprofunda

Gabriel Bueno, da Agência Estado,

12 de dezembro de 2011 | 11h13

ATENAS - A Grécia começa uma semana crucial de conversas nesta segunda-feira, com a chegada de inspetores internacionais a Atenas para discutir o novo pacote de ajuda para o país. Além disso, credores privados fazem uma nova rodada de conversas sobre o desconto que deve ser dado na dívida grega.

As negociações ocorrem em um momento de incerteza tanto para a Grécia como para países da zona do euro, enquanto os mercados financeiros digerem os mais recentes esforços de líderes europeus para controlar a crescente crise da dívida do continente.

O acordo da semana passada por um acordo fiscal compacto para o bloco europeu enfrenta ceticismo sobre se pode de fato resolver os problemas da dívida europeia. Na Grécia, a recessão se aprofunda e abre um inesperado buraco nas finanças públicas, em uma mostra da dificuldade de o país fazer seu próprio programa de austeridade funcionar.

No fim do domingo, representantes da chamada troica - Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Central Europeu (BCE) - chegaram à capital grega para uma semana de conversas sobre um novo pacote de 130 bilhões de euros para o país.

As conversas devem enfocar as novas medidas de austeridade de 6 bilhões de euros, para o período entre 2013 e 2015, que a Grécia deve detalhar até junho. Os inspetores exigirão que o país acelere reforma estruturais duras, como cortes no salário mínimo e o monitoramento do sistema tributário.

Ao mesmo tempo, um comitê de credores do setor provado está em Atenas esta semana para tratar do programa para reestruturação da dívida do país. O acordo em relação à dívida é parte do novo acordo dos líderes europeus e do FMI fechado com a Grécia em outubro.

"As conversas com a troica serão sobre o novo acordo de empréstimo e durarão uma semana. Eles pararão para os feriados e recomeçarão em janeiro", disse um funcionário do Ministério das Finanças. "Na terça-feira e na quarta-feira, haverá reuniões do comitê de credores sobre o acordo da dívida."

Mas a capacidade da Grécia cumprir suas promessas parece incerta, em meio a sinais de que o país não conseguiu atingir nem suas metas de déficit revisadas para cima deste ano, por causa de uma recessão pior que a esperada. A economia grega deve agora se contrair pelo menos 6% este ano e 3% no próximo - pior que as estimativas oficiais.

Com a arrecadação de impostos em queda e as transferências sociais crescendo por causa da recessão, as metas de déficit estão em risco. Essas metas eram para um déficit orçamentário de em torno de 8,5% do Produto Interno Bruto (PIB), ou cerca de 17,1 bilhões de euros em 2011, mas o governo agora diz que o déficit deve ficar mais perto de 9% do PIB, ou 19,68 bilhões de euros. Muitos economistas dizem que um déficit de 10% do PIB é mais provável, o que poderia forçar o governo a anunciar novos cortes nos próximos meses.

Na sexta-feira, o primeiro-ministro Lucas Papademos disse que novas medidas de austeridade podem ser necessárias. "Depende da evolução" do quadro, disse ele a repórteres em entrevista coletiva. "Certamente outras reformas podem ter de ser examinadas, se necessário."

O acordo entre a Grécia e seus credores privados aparentemente deve ser fechado em algumas semanas. Após uma primeira rodada de conversas mais cedo neste mês, os dois lados continuam divergindo sobre como o desconto deve ser estruturado.

A Grécia propôs uma troca de dívida, pela qual investidores trocariam bônus antigos do governo por novos, com 35% do valor de face dos antigos, e com cupom de entre 4% e 5%. Também se propôs a fazer um pagamento inicial de cerca de 15% do valor dos bônus antigos.

O Instituto Internacional de Finanças (IIF), que representa os maiores bancos do mundo e lidera as conversas, propôs uma troca dos bônus antigos por novos com desconto de 50% no valor de face, além de exigir um cupom em torno de 8%. "Até agora, não houve progresso significativo nessas conversas, há ainda algum caminho pela frente", disse um banqueiro informado sobre as negociações. As informações são da Dow Jones.

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