Grécia vai precisar de outro pacote de ajuda, diz ministro alemão

Schäuble admite pela primeira vez um novo acordo, que teria somas bem menores do que os resgates anteriores

Reuters/O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2013 | 02h15

AHRENSBURG - O ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, admitiu ontem pela primeira vez que a Grécia precisará de um terceiro pacote de ajuda, ao mesmo tempo que uma fonte em Atenas disse que um novo acordo teria somas bem menores comparadas aos resgates anteriores.

"Tem de haver outro programa na Grécia", disse Wolfgang Schaeuble em um evento de campanha eleitoral no norte da Alemanha, em um comentário que aumenta a perspectiva de uma medida que seria profundamente impopular no cenário doméstico, apenas cinco semanas antes das eleições nacionais.

Em Atenas, uma autoridade do Ministério das Finanças grego disse à Reuters que um novo resgate se concentraria em cobrir uma esperada escassez de financiamento entre os anos de 2014 e 2016.

"A Grécia e seus credores estão examinando diversas maneiras de cobrir qualquer déficit de financiamento que a Grécia enfrente nos próximos anos", disse a autoridade sob condição de anonimato.

As medidas incluem usar recursos restantes de algum programa de resgate bancário e medidas de apoio à dívida previamente discutidas, disse a autoridade.

Em Frankfurt, o Banco Central Europeu (BCE) disse que Joerg Asmussen, membro do conselho executivo do BCE, visitará a Grécia hoje para discutir o progresso das reformas necessárias para garantir mais dinheiro de ajuda.

Inevitável. Schaeuble disse no passado que credores internacionais poderiam ter de considerar um novo pacote de ajuda à Grécia após o último acabar no final do ano que vem, mas nunca havia descrito a situação como inevitável, como pareceu fazer ontem. Ele acrescentou que não haverá mais cortes na dívida de Atenas.

A Grécia obteve uma ajuda de 5,8 bilhões (US$ 7,75 bilhões) de seus credores internacionais - zona do euro, seus respectivos bancos centrais e o FMI - em julho e se prepara para receber mais 1 bilhão em outubro, sujeito a implementação de novas reformas.

Os credores internacionais, conhecidos como a troica, vão retornar a Atenas no outono (do Hemisfério Norte) para saber se o governo precisa de outras poupanças para atingir sua meta orçamentária para 2015-2016.

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