Fotis Plegas G/Reuters
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Grécia volta às urnas em disputa acirrada

Vangelis Meimarakis, líder do conservador Nova Democracia, desafia Alexis Tsipras, do radical Syriza, com discurso de conciliação nacional

Andrei Netto, Correspondente / Paris

20 Setembro 2015 | 03h00

Nove meses depois da última eleição geral e três meses após o trauma do calote de pagamentos, a Grécia volta neste domingo às urnas em um pleito que se anuncia acirrado. O ex-primeiro-ministro Alexis Tsipras e o líder do conservador Nova Democracia (ND), Vangelis Meimarakis, chegaram em situação de empate técnico no último dia de campanha. Pesquisas de opinião indicam que nenhum dos partidos apresenta chance de obter a maioria absoluta do Parlamento, o que obrigará a formação de uma nova coalizão.

Segundo a última rodada de sondagens publicada na sexta-feira, a Coalizão Radical de Esquerda (Syriza) liderada por Tsipras tem ligeira vantagem, registrando entre 0,7% e 3% de vantagem sobre a Nova Democracia. De acordo com o instituto Marc, Tsipras tem 26,2% das intenções de voto, contra 25,1% de Meimarakis. Já para o instituto GPO a diferença é de 28,5% em favor do líder radical de esquerda contra 26% para seu opositor conservador. 

A persistirem esses números, nenhum dos dois partidos poderá obter a marca crítica de 38% dos votos, capaz de lhes dar a maioria absoluta no Parlamento. Pelo sistema político grego, o vencedor da eleição leva também um bônus do número de assentos no Legislativo para tentar alcançar os 50% mais um voto, que garante o direito de governar sem a necessidade de coalizão. Outro fator de indefinição na reta final do pleito é o elevado número de indecisos, de cerca de 15%, e a previsão de abstenção recorde.

Enfraquecido pelo rompimento de seu partido, Tsipras argumentou na sexta-feira que a opinião de parte dos eleitores de seu partido não é captada pelos institutos de pesquisa. Na noite de sexta-feira, o ex-premiê realizou na Praça Syntagma, no centro de Atenas, o seu comício de encerramento de campanha, no qual se colocou como o único candidato capaz de encerrar décadas de clientelismo no Estado grego. Além disso, Tsipras manteve a retórica antiausteridade, embora tenha aceitado os termos impostos pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para um terceiro plano de resgate de 85 bilhões de euros. 

Aprovado em definitivo pelo Parlamento em 14 de agosto, o projeto não corre risco de ser desmontado, o que voltaria a jogar o país no caos político e econômico. “A Europa está dividida em dois campos: aqueles que apoiam o plano de (Wolfgang) Schäuble, e os que apoiam o plano do Syriza”, afirmou, referindo-se ao ministro de Finanças da Alemanha. “Imagine a diferença que faríamos se o primeiro-ministro grego não estivesse sozinho – um contra muitos – em Bruxelas.” 

Racha. Uma das dificuldades do ex-premier, que se demitiu em 20 de agosto, será superar o racha de seu partido. Em razão do pacote de socorro firmado com a Europa e o FMI, 25 deputados do Syriza abandonaram o partido em favor da criação do União Popular, um partido ultrarradical de esquerda liderado pelo ex-ministro Panayotis Lafazanis, que defende a saída da Grécia da zona do euro. 

Entre os dissidentes também está o ex-ministro de Finanças Yanis Varoufakis, que se demitiu do governo e anunciou apoio ao União Popular. O partido, no entanto, terá dificuldades para superar a cláusula de barreira, que impede o ingresso no Parlamento de partidos que não tenham obtido o mínimo de 3% dos votos válidos.

À direita, a grande surpresa é o desempenho de Meimarakis, que se tornou líder interino do ND há dois meses e agora, aos 61 anos, disputa com chances de vitória o cargo de primeiro-ministro. Ex-presidente do Parlamento entre 2012 e 2015, o advogado é um dos líderes históricos do partido conservador, que integra há 41 anos. Seu perfil é mais moderado que o de seu antecessor, Antonis Samaras, o que lhe vale a definição de centrista. Sua estratégia na campanha foi de estimular o discurso de união nacional e de estabilidade. “Os gregos querem antes de mais nada estabilidade política e colaboração de seus representantes para retomar o caminho do crescimento”, afirmou na semana passada. Seu perfil de transigência política cativou os gregos: 35% defendem um governo de coalizão entre Syriza e ND, a despeito das diferenças políticas entre a esquerda radical e os conservadores – e da oposição total de Tsipras à hipótese. 


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