Greenpeace lança guia de transgênicos

O Greenpeace lançou hoje em São Paulo um guia que orienta o consumidor sobre os produtos que possuem ou não transgênicos, organismos geneticamente modificados. A publicação traz uma lista de 504 alimentos vendidos em todo o país. O Greenpeace entrou em contato com os fabricantes dos produtos, através de cartas, pedindo uma declaração que garantisse o não uso de transgênicos em seus produtos. Não foi realizado nenhum teste de laboratório.A avaliação do Greenpeace divide os produtos em duas lista: vermelha e verde. Na lista vermelha estão os produtos das empresas que não enviaram respostas à instituição. "As empresas que não responderam aos nossos pedidos não oferecem ao consumidor a garantia de que seu produto não contém transgênicos", alerta Mariana Paoli, coordenadora da campanha de engenharia genética do Greenpeace.Na lista vermelha estão produtos como: os achocolatados Toddy e Choco Milk, da Quaker; os biscoitos Passatempo, Bono, Wafer e Negresco, da Nestlé; os matinais Corn Flakes, Sucrilhos e Muslix, da Kellog´s; o pão de forma e a bisnaguinha, da Pullman. Além de congelados, frios, ração animal, óleos, molhos, farinhas e grãos de fabricantes como Sol, Batavo, Oetker, Cargill, Parmalat, Yakult, Sakura e Seara. Na lista verde estão os produtos das empresas que enviaram resposta ao Greenpeace e garantiram que seus produtos não possuem transgênicos. "Os fabricantes da lista verde garantiram que os produtos não possuem transgênicos e explicaram as medidas de controle adotadas para evitar o uso destes produtos nos seus alimentos", explica a coordenadora do Geenpeace.Entre os fabricantes que estão na lista verde estão Sadia, Wilson, Carrefour, Unilever, Champion, Superbom, Rezende, Arisco, Fibrax, Bordon e Yoki. De acordo com Marina Paoli, algumas destas empresas que têm seus produtos hoje garantidos já foram denunciadas pelo Greenpeace por falta de controle na aquisição de matéria-prima para evitar o uso de transgênicos nos seus alimentos.Serão distribuídos gratuitamente 50 mil exemplares do guia em diversas cidades brasileiras. A lista completa dos alimentos pode ser encontrada no site da instituição (veja o link abaixo).Greenpeace destaca riscos dos transgênicos"Não existe um consenso da comunidade científica sobre a segurança e os riscos que os transgênicos podem proporcionar ao ser humano. Estes produtos também trazem sérios riscos ao meio ambiente", avalia Marina Paoli. A coordenadora do Greenpeace destaca que o plantio, a importação e a comercialização de transgênicos estão proibidas no Brasil, pois não existe uma avaliação segura do impacto ambiental e na saúde. "Também não existem por parte do Ministério da Saúde normas claras sobre a rotulagem deste produtos e nem uma fiscalização intensiva", alerta.Na avaliação do Greenpeace, os alimentos transgênicos podem provocar alergias diversas e aumentar a resistência dos microorganismos aos antibióticos, no caso dos agentes que atacam seres humanos. O Greenpeace também teme que os transgênicos provoquem o empobrecimento da biodiversidade, favoreçam o aparecimento de novas pragas em plantações e acabem espalhando seus genes para outros seres vivos de forma descontrolada. Abia diz que empresas estão dentro da leiO presidente da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), Edmundo Klotz, avisa que todos os fabricantes estão seguindo as leis federais. "Todas as empresas estão agindo dentro da lei e dos padrões de qualidade consagrados. A opinião do Greenpeace não nos interessa. Não são eles que vão nos dizer como devemos proceder", afirma. O que é o GreenpeaceO Greenpeace é uma ONG (organização não governamental) ambientalista que luta por causas globais envolvendo problemas com transgênicos, florestas, oceanos, poluição tóxica, clima e problemas nucleares. A instituição nasceu na Europa em 1972 e está há 10 anos no Brasil. O Greenpeace sobrevive do aporte financeiro de seus associados, que são 15 mil em todo território nacional.

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