Greenpeace quer que Bunge e Cargill indiquem OGMs

Na Semana do Consumidor promovida pelo Greenpeace, a organização ambiental protocolou hoje no Ministério Público (MP) de São Paulo mais uma representação, desta vez contra as empresas de alimentos Bunge e Cargill. A organização não-governamental (ONG) pede que as empresas rotulem todos os produtos que contêm organismos geneticamente modificados (OGMs). As duas companhias indicam a transgenia nos óleos de soja, mas, pela ação, o Greenpeace quer que a informação se estenda a todos os produtos que contêm soja transgênica. Ontem, o Greenpeace entrou com representação no MP para pedir investigação sobre o possível uso de OGM pela empresa alimentícia Vigor. A reivindicação do Greenpeace é para que as empresas cumpram a legislação nacional, que, pelo Decreto 4680, de 2003, determina que alimentos com mais de 1% de OGM na composição tenham essa informação no rótulo. Segundo a coordenadora de Engenharia Genética da ONG, Gabriela Vuolo, Cargill e Bunge são as únicas empresas no Brasil que trazem indicação de transgenia em alguns produtos, mas isso somente aconteceu a partir de setembro, depois que o MP entrou com ação civil pública contra elas a pedido do Greenpeace. ?Eles usam a mesma matéria-prima do óleo para fazer outros produtos, e até mesmo assumem que usam, mas não rotulam?, afirma Gabriela. A Cargill informou que nem mesmo seus óleos de soja que contêm a indicação apresentam esse nível de transgenia. Em comunicado, a empresa alimentícia considerou que ?atua e sempre atuou de acordo com a legislação vigente no País, garantindo a segurança e qualidade de seus produtos? e que ?a ONG procura confundir o consumidor brasileiro?. A reportagem procurou a Bunge, mas não encontrou ninguém para comentar a ação do Greenpeace.Semana do ConsumidorDesde o sábado e até o dia 15, o Greenpeace promove a Semana do Consumidor em nove cidades: São Paulo, Rio, Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Manaus, Santo André e Ribeirão Pires, no Grande ABC (SP). São diversas atividades de protesto e difusão de informações sobre produtos transgênicos para a população, explicou Gabriela. Hoje, o Greenpeace realizou ato contra a Bunge e a Cargill num supermercado na capital fluminense. Um grupo de 15 ativistas colou, em diversos produtos das empresas, adesivos com um ?T? dentro de um triângulo amarelo - indicação de produto com organismo geneticamente modificado. O Greenpeace é contra a liberação de transgênicos e, segundo Gabriela, a informação é crucial para que o consumidor possa escolher não comprar qualquer produto que tenha, em sua fórmula, esse tipo de organismo, considerado pela organização prejudicial para a saúde e o meio ambiente.

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