Greenspan vê sinais de retomada da economia

O presidente do Federal Reserve Board (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Alan Greenspan, disse, nesta quarta-feira, que a mais suave recessão econômica da história dos Estados Unidos está prestes a terminar, se já não terminou. Em seu lugar, ele disse que já vê os sinais de uma volta ao crescimento igualmente modesta, com uma taxa de expansão do Produto Interno Bruto da ordem de 2,5% a 3% este ano, quando comparada ao último trimestre do ano passado.Isso - indicou Greenspan - representaria metade da taxa média das recuperações após as onze recessões (contando a atual) que os EUA viveram desde o fim da Segunda Guerra Mundial."Nos últimos meses, surgiram crescentes sinais de que algumas das forças que contiveram a economia no ano passado estão começando a diminuir e que a atividade está começando a firmar-se", disse o presidente do Fed, no depoimento semi-anual que faz perante a Comissão de Serviços Financeiros da Câmara de Representantes.Otimismo cautelosoO tom cautelosamente otimista de Greenspan foi tomado pelo mercado como uma confirmação de que o Fed, que reduziu sua principal taxa de juros a 1,75% (a mais baixa em quadro décadas) em onze cortes sucessivos no ano passado, não fará nenhuma mudança significativa no futuro previsível.A taxa básica ("prime rate") que os bancos cobram a empresas e a seus clientes preferenciais, que está atualmente em 4,75%, deve ficar no patamar atual até pelo menos meados do ano, previram os analistas após o depoimento de Greenspan.Inflação deve cairO presidente do Fed afirmou, em seu depoimento, que o BC norte-americano prevê a continuação da estabilidade dos preços, com uma variação de 1,5% dos preços medidos pelo deflator do PIB, que se compara com 1,3% no ano passado. Isso indica que o índice de preços ao consumidor deve ser igual ou menor que os 2,8% de 2001.A razão pela qual Greenspan disse não esperar uma recuperação mais vigorosa é que os gastos dos consumidores, que representam três quartos do PIB norte-americano e são a principal motor nos primeiros meses da volta ao crescimento, mantiveram-se em níveis notavelmente altos no ano passado, o que diminuiu o espaço para uma forte expansão neste ano.Ataque terroristaO presidente do Fed disse que os ataques terroristas de 11 de setembro tiveram um impacto negativo significativo na deterioração do quadro econômico e sugeriu que, se os atentados terroristas não tivessem ocorrido, a economia provavelmente teria evitado a recessão.Ele não forneceu números, mas as os analistas privados estimam em 0,3% do PIB a contração registrada no PIB americano nos três últimos trimestres do ano passado.Novas tecnologiasEm parte, Greenspan atribuiu tanto a brevidade e suavidade da recessão como a capacidade de reação que a economia vem demonstrando à integração de novas tecnologias no setor produtivos. Segundo ele, essas tecnologias dotaram os administradores das empresas de informações em tempo real e permitiram a eles ajustar suas empresas às circunstâncias cambiantes e a acolchoar o período de perda de vitalidade.Desemprego"Um dado crucial é que os desequilíbrios que provocaram a desaceleração e que poderiam ter prolongado esse período de dificuldade não se propagaram", afirmou. Mesmo assim, o presidente do Fed previu que o desemprego, atualmente na casa de 5,6%, continuará a aumentar nos próximos meses, devendo atingir entre 6% e 6,25% até o fim do ano, antes de começar a ceder. Na última recessão, em 1990 e 1991, a taxa de desemprego chegou a 7,8%.

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