Aris Messinis/AFP
Aris Messinis/AFP

Gregos driblam restrição abrindo conta na Bulgária

Atenas limitou saques de contas em bancos no país para evitar colapso do sistema financeiro; entretanto, é possível resgatar dinheiro em filiais de bancos gregos em outros países sem restrição

O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2015 | 02h03

Mais de 60 mil gregos abriram contas bancárias na vizinha Bulgária para evitar restrições aos saques em dinheiro impostas pelas autoridades do país mediterrâneo. Os gregos só têm de atravessar a fronteira para lugares como Petrich e Sandanski, 10 km e 20 km, respectivamente, da fronteira e procurar a filial local de algum banco grego.

É preciso apenas apresentar um documento de identidade e preencher alguns formulários e, em cerca de meia hora, a conta está aberta, com saques virtuais ilimitados. "Em dois dias, tivemos cinco depósitos abertos com mais de € 100mil cada e todos de cidadãos gregos", disse à agência de notícias EFE um funcionário de um banco em Petrich.

Embora o governo grego tenha relaxado as restrições do "corralito", continua em vigor no país o limite de € 60 por dia para saques em dinheiro em caixas eletrônicos ou € 420 uma única vez por semana. "Existem atualmente cerca de 60 mil clientes individuais abrindo contas em bancos gregos na Bulgária", disse o economista Krasen Stanchev, do Instituto de Economia de Mercado.

A ironia desse movimento é que 25% do mercado bancário búlgaro é detido por quatro bancos gregos: Alpha Bank, UBB, Piraeus Bank e Postbank. No entanto, os controladores búlgaros operam de forma independente das sedes na Grécia, por tratar-se de "bancos búlgaros com participação grega", conforme definido pelo Banco Nacional da Bulgária.

Os gregos estão autorizados a tomar € 2.000 em dinheiro ou o equivalente em moeda estrangeira para as viagens ao exterior, assim se alguém atravessar a fronteira com a Bulgária todos os dias durante uma semana, terá ao fim de sete dias legalmente € 14.000 na sua conta no país vizinho.

Além disso, cartões bancários emitidos por bancos estrangeiros não estão sujeitos aos limites de saques impostos pelas autoridades gregas.

Mercado acionário. Ainda ontem, a Bolsa de Atenas, que estava paralisada há cinco semanas, retomou as operações com uma violenta queda de 22,9% na abertura do pregão. Todos os componentes do Índice Athex operavam no vermelho nos primeiros minutos de negócios. As negociações de algumas empresas chegaram a ser suspensas. No fechamento, a Bolsa de Atenas encerrou o dia com queda de 16,23%.

O mercado acionário grego estava fechado desde 29 de junho, depois de o primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, anunciar que o país faria um plebiscito para consultar a população sobre as exigências que credores internacionais fizeram para liberar uma nova ajuda financeira a Atenas.

A decisão de Tsipras repercutiu nos mercados financeiros globais e levou a Bolsa de Luxemburgo a suspender negócios com alguns bônus gregos, tanto corporativos quanto soberanos.

Nos últimos 12 meses, e considerando-se as perdas na abertura de ontem, o Athex acumula desvalorização de 47%. (Com agências internacionais).


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