PANTELIS SAITAS/EFE
PANTELIS SAITAS/EFE

Gregos exigem fim da 'pilhagem' de credores

Após fracasso nas negociações, Grécia vive semana decisiva para evitar calote, mas Tsipras eleva o tom e mantém exigência por acordo mais brando

Reuters

15 de junho de 2015 | 10h29

O governo grego manteve, nesta segunda-feira, as exigências para que seus credores proponham termos menos duros para um acordo de reformas em troca de recursos. No final de semana, as negociações entre a Grécia e os credores falharam e deixaram Atenas um pouco mais perto do calote que pode tirá-la da zona do euro.

A mais recente de uma série de negociações terminou depois que a Comissão Europeia, mais uma vez, descartou propostas do lado grego, em Bruxelas. Credores disseram que Atenas falhou em oferecer qualquer coisa nova para garantir recursos a fim de pagar € 1,6 bilhão ao Fundo Monetário Internacional (FMI) no final de junho.

Após o que chamou de última tentativa de solução, a Comissão disse que os ministros de Finanças da zona do euro vão lidar com a questão quando se reunirem na quinta-feira. Saturada com anos de austeridade, Atenas tem recusado as exigências para elevar impostos e cortar aposentadorias para reduzir seu déficit fiscal.

Em suas primeiras declarações públicas desde que as negociações falharam, o primeiro-ministro, Alexis Tsipras, disse nesta segunda-feira que a Grécia vai aguardar que seus credores se tornem mais realistas e os acusou de fazer exigências nada razoáveis por fins políticos.

"Só se pode ver uma intenção política na insistência dos credores em novos cortes de aposentadorias após cinco anos de pilhagem sob os resgates", disse Tsipras em comunicado ao jornal grego Ton Syntakton.

"Vamos aguardar pacientemente até que as instituições alcancem o realismo", disse ele. "Não temos o direito de enterrar a democracia europeia no lugar onde ela nasceu."

'Tempos turbulentos'. Após o fracasso do final de semana, o presidente da França, François Hollande, pediu ao governo da Grécia que volte logo à mesa de negociações com seus credores.

"Esta é uma mensagem para a Grécia. O país não deve esperar, ele deve voltar às discussões com as instituições", disse Hollande, durante coletiva de imprensa às margens do Salão Internacional da Aeronáutica de Paris. Segundo o presidente francês, a falta de um acordo sobre a dívida grega vai causar "tempos turbulentos".

Hollande declarou ainda que vai dizer pessoalmente ao primeiro-ministro grego Alexis Tsipras que não há mais tempo a perder e que as negociações devem ser retomadas o mais breve possível.

O presidente do Banco Central da Alemanha (Bundesbank), Jens Weidmann, reforçou a mensagem de Hollande e disse que está se esgotando o tempo para a Grécia fechar um acordo com credores. Segundo Weidmann, que falou durante conferência em Frankfurt, a probabilidade de um fracasso cresce a cada dia e é praticamente impossível seguir as "diferentes reviravoltas" nas conversas.

Reformas. Com um tom mais ameno, o economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Peter Praet, afirmou que a Grécia tem opções sobre quais reformas precisa implementar para garantir nova ajuda financeira de seus credores.

"Há espaço para opções, mas também há limitações para as opções", disse Praet a jornalistas, às margens de uma conferência de economia do Banco Central da Áustria. Independentemente da decisão de reformar a educação, o mercado de trabalho ou de combater a corrupção, as reformas precisam ser sustentáveis e formar um pacote coerente, defendeu Praet.

Um dos exemplos de opções é a discussão atual sobre reduzir cortes propostos nas pensões da Grécia por meio da ampliação de cortes nos gastos militares, segundo Ewald Nowotny, presidente do BC austríaco e integrante do conselho diretor do BCE. "Há opções", disse Nowotny, seguindo a linha de Praet.

Segundo Praet, as reformas estruturais não precisam significar austeridade para a população de um país, mas elas precisam ser comunicadas de forma concreta.

Praet também comentou que quanto mais se demora para fazer reformas, maiores os problemas que se herda. "Mas nunca é tarde demais", afirmou. Ao ser perguntado se o BCE está se preparando para uma possível saída da Grécia da zona do euro, Praet disse que o BCE tem experiência na preparação e gestão de crises. 

(Com informações da Dow Jones Newswires)

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