Gregos fazem greve contra medidas do governo

Dezenas de milhares de trabalhadores gregos cruzaram os braços hoje, como parte de uma paralisação nacional de 24 horas. A manifestação, convocada pelos dois maiores sindicatos da Grécia, é um protesto contra as medidas de austeridade anunciadas pelo governo socialista.

GABRIEL BUENO, Agencia Estado

24 de fevereiro de 2010 | 10h20

A greve afeta os serviços públicos e de transporte, incluindo escritórios do governo, escolas e universidades, em sua maioria fechados. Além disso, as viagens na região da capital, Atenas, eram dificultadas pela paralisação.

O Aeroporto Internacional de Atenas também fechou, com os controladores aéreos aderindo à paralisação. Não havia voos partindo ou deixando os aeroportos do país. Os serviços de trem e ônibus também sofreram cancelamentos por toda a Grécia. Os bancos também preveem que serão afetados, enquanto os hospitais públicos operam em esquema emergencial. Não serão publicados jornais, porque o sindicato dos jornalistas aderiu ao movimento.

"Em muitos setores, a participação na greve é de 100%", disse um porta-voz da central sindical do setor privado Adedy. "Muitos bancos no centro estão fechados ou operando em esquema de emergência", afirmou. Segundo o porta-voz, a paralisação mostra que os trabalhadores são totalmente contrários aos planos de austeridade do governo. "Nós entendemos as dificuldades na economia, mas o trabalhador médio não pode dar mais nada. Se a UE (União Europeia) quer mais medidas, os ricos e aqueles que sonegam impostos devem pagar por isso."

A Grécia está sob forte pressão da UE e dos mercados financeiros para reduzir seu déficit orçamentário, que atingiu 12,7% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado, quatro vezes acima do limite da UE. O governo se comprometeu a cortar esse déficit para 8,7% do PIB este ano e, até 2012, passar a respeitar o limite de 3% da UE.

Para cumprir esses objetivos, o governo anunciou uma série de cortes de gastos e a elevação de impostos. Segundo a administração, isso produzirá um saldo de entre 8 bilhões e 10 bilhões de euros, entre economias e novas contribuições. As medidas incluem o congelamento de salários no setor público, além de um corte de 10% em média nos benefícios dos funcionários públicos. Serão ainda cortadas renúncias fiscais para certas profissões - incluindo algumas de funcionários públicos -, que hoje pagam menos impostos.

"Parece que há uma guerra geral contra os funcionários públicos, aqueles que ganham menos", disse Spyros Papaspyros, presidente da Adedy. "Nós vamos lutar para manter o pouco que temos", garantiu. "Em média, 80% de nossos membros estão participando da greve e a maioria dos escritórios públicos está fechada."

Novo pacote

Delegações da UE, do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional realizam reuniões em Atenas, pressionando o governo a adotar um pacote adicional de austeridade, no valor de cerca de 2,5 bilhões de euros. O novo pacote, que pode ser anunciado na semana que vem, deve incluir um aumento na atual taxa de impostos de 19%, novos cortes em benefícios dos funcionários públicos e mais impostos sobre itens do setor de luxo, como barcos e carros.

A Grécia também analisa a possibilidade de aumentar os impostos sobre combustíveis. A UE também pediu que o país corte um ou dois dos salários extras ganhos pelo setor público atualmente, além dos 12 regulamentares. O governo, porém, resiste a mexer nesses benefícios. As informações são da Dow Jones.

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