Gregos fazem greve de 2 dias contra corte de empregos

A Grécia foi paralisada hoje por uma greve geral que deve durar 48 horas. Várias categorias, de funcionários públicos a farmacêuticos e bancários, cruzaram os braços antes da votação sobre novas medidas de austeridade no Parlamento, marcada para ocorrer amanhã.

GABRIEL BUENO, Agencia Estado

19 de outubro de 2011 | 09h11

Os serviços públicos estavam paralisados por todo o país, com escritórios dos governos central e locais fechados. Escolas e tribunais estavam parados, e os hospitais operavam em esquema de plantão.

Os serviços de transportes eram prejudicados pela suspensão na operação de ferries. Os serviços nacionais ferroviários também estavam parados, e as duas grandes companhias aéreas gregas - Olympic Air e Aegean Airlines - cancelaram dezenas de voos, por causa de uma paralisação de 12 horas dos controladores de tráfego aéreo.

Dezenas de milhares de varejistas e pequenos negócios aderiram ao protesto, fechando suas lojas contra as recentes medidas do governo para elevar impostos e cortar gastos, que pioraram a recessão no país e levaram ao aumento no número de falências.

A greve de 48 horas é convocada pelas centrais sindicais GSEE, do setor privado, e Adedy, do público. É a segunda vez no ano que as centrais convocam uma paralisação de dois dias contra as medidas de austeridade. Nas últimas semanas ocorrem greves quase diariamente no país, com várias manifestações, entre elas um protesto de duas semanas de servidores municipais que deixou toneladas de lixo pelas ruas de Atenas e outras cidades.

"Nós chegamos ao nosso limite de resistência e, o que é pior, não há um vestígio de esperança", afirmou Stathis Anestis, porta-voz da GSEE. "Queremos enviar a mensagem de que essas políticas de austeridade têm sido uma catástrofe para a Grécia."

Cortes e votação

Pressionado por seus credores internacionais, o governo da Grécia enviou este mês ao Legislativo medidas para cortar empregos e salários do setor público, reduzir as pensões mais altas, acabar com direitos coletivos de algumas categorias e impor novos impostos aos contribuintes, entre outras.

Amanhã, o Parlamento votará as medidas, dias antes de uma visita no domingo de líderes europeus que devem trabalhar em uma solução abrangente para a crise da dívida do bloco. O grupo deve também decidir se libera mais uma parcela de ajuda para a Grécia. O país necessita receber a próxima parcela de 8 bilhões de euros da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) nas próximas semanas, ou o governo de Atenas disse que ficará sem fundos em meados de novembro.

As medidas de austeridade causam divisão no próprio Partido Socialista, que viu sua popularidade ser arrastada a baixas históricas. A votação deve testar o comando do governo sobre sua base, com os socialistas tendo uma maioria estreita de quatro deputados no Parlamento de 300 membros.

Temendo a violência, a polícia reforçou a segurança hoje, inclusive no entorno do Parlamento, onde ocorre um debate pelo segundo dia das medidas de austeridade. "As coisas chegaram a um ponto muito difícil e há um sentimento de raiva entre o povo", disse Ilias Iliopoulos, secretário-geral da Adedy. "Nosso objetivo é reverter essas políticas de austeridade e impedir que a legislação seja aprovada." As informações são da Dow Jones.

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