EFE/EPA/ALEXANDROS VLACHOS
EFE/EPA/ALEXANDROS VLACHOS

Gregos já não conseguem sacar euros nos bancos

Notas somem dos caixas eletrônicos e cidadãos temem não poder retirar nesta semana sequer os € 60 permitidos pelas regras

Jamil Chade, CORRESPONDENTE / GENEBRA

28 de junho de 2015 | 22h41

Marianna Magli já percorreu 15 caixas eletrônicos por Atenas em busca de dinheiro. Mas, ainda assim, só conseguiu € 70 e diz que, a partir desta segunda-feira, não sabe como vai viver, como vai pagar suas contas nem se vai receber seu salário.

Funcionária de uma empresa do setor farmacêutico da capital da Grécia, Marianna, de 36 anos, contou por telefone ao Estado a tensão que viveu no último fim de semana e o medo que toma conta da população. “Acordei no sábado e não sabia de nada sobre o referendo. Deixei minha casa e fui a um caixa tirar dinheiro para ir ao supermercado. Naquele momento, eu apenas tinha € 20 no meu bolso”, contou.

Mas Marianna se surpreenderia ao ver que o caixa estava vazio. Ela caminhou até uma rua próxima e se deu conta que havia algo de errado. “Uma fila enorme estava formada num dos caixas”, disse. “Corri de volta para casa, liguei a televisão e comecei a entender tudo”, lamentou.

No sábado e domingo, ela passou o dia em busca de dinheiro. “Percorri mais de 15 caixas”, contou. Sua irritação ainda aumentaria diante das cenas de pessoas fazendo selfies sacando dinheiro. “Isso aqui não é uma piada”. Mas ela tinha outro problema: percorrer a cidade significava gastar gasolina e, sem gasolina, o risco era de que não poderia nem mesmo trabalhar esta semana.

Marianna admite que simplesmente não sabe como vai viver. “Consegui ter € 70 e, no tanque do meu carro, tenho menos da metade de gasolina. Não sei como vou pagar por minhas contas, meu aluguel”, disse.

Pelas regras, cada grego poderá retirar apenas € 60 nos caixas. “Mas quem é que disse que vamos conseguir retirar esse dinheiro, se não há notas nas máquinas?”, questionou.

Redução de custos. Junto com amigas, ela já planeja uma operação para reduzir seus custos. “Vamos compartilhar o carro, fazer compras juntas. Vamos ter de tomar medidas para gastar o menos possível”, disse.

Mas sua maior preocupação é com o salário, que deveria ser pago amanhã, no mesmo dia do fim do resgate da União Europeia (UE) à Grécia. “O que vai ocorrer se meu chefe usar alguma desculpa para não nos pagar?”, questionou. “Ninguém sabe o que vai ocorrer neste país amanhã”.

Referendo. Sobre o referendo do primeiro ministro Alexis Tsipras, Marianna é clara. “Se eu não sei o que vão me perguntar, como é que eu posso responder?”, disse. “Não sei se estão me perguntando se eu quero ficar na Europa ou ter minha aposentadoria ajustada. É injusto colocar isso ao povo”, atacou.

De acordo com pesquisas realizadas antes da convocação do referendo, mais de 57% dos gregos defendiam a permanência na zona do euro e um acordo com os credores.

Para Marianna, porém, muitos gregos querem é saber como vão sobreviver a semana. “Tenho uma amiga que me ligou para dizer que ela precisa de € 6 mil para ser operada na sexta. O que ela vai fazer?”, completou.

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