Gregos param o país contra austeridade

Governo vota amanhã novo pacote pressionado por greve geral de 48 horas que começa hoje

ATENAS, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2011 | 03h01

Às vésperas de o Parlamento grego votar um novo pacote de austeridade e do início de uma greve geral de 48 horas - convocada pelas duas maiores centrais sindicais -, o governo usou ontem poderes emergenciais para ordenar que os lixeiros voltem ao trabalho para retirar toneladas de lixo que se acumulam nas ruas. A greve da categoria já durava 17 dias. O primeiro-ministro socialista George Papandreou emitiu as ordens de mobilização civil, usadas apenas em emergências nacionais e raramente para resolver disputas trabalhistas.

O Parlamento da Grécia começou esta semana debater mais medidas de austeridade, que têm como objetivo garantir o cumprimento das metas de redução no déficit orçamentário em 2011 e 2012. Entre as medidas, estão cortes de empregos e salários do setor público, além de uma redução das aposentadorias e pensões e da introdução de um novo imposto.

A aprovação do projeto de lei é considerada um pré-requisito para que a Grécia receba a próxima parcela de ajuda financeira, de € 8 bilhões. Sem ela, o governo grego acredita que ficará sem dinheiro em meados de novembro.

Ainda assim, há divisões internas no partido de Papandreou a respeito da necessidade das medidas, visto que a impopularidade do governo está crescendo. Num sinal claro de racha dentro do governo, um parlamentar do Partido Socialista renunciou na segunda-feira, em protesto contra as medidas. O primeiro-ministro pediu aos parlamentares socialistas que votem em bloco amanhã a favor de mais um pacote de austeridade fiscal, afirmando que o país está comprometido em continuar na zona do euro e espera receber ajuda de seus vizinhos. "Peço seu apoio, uma postura de responsabilidade", disse Papandreou.

Com a convocação da greve geral, os trabalhadores querem atrapalhar a votação.

"As pessoas estão fazendo grandes sacrifícios", disse o ministro de Finanças, Evangelos Venizelos. "Estamos realizando nosso dever patriótico, porque temos de salvar o país."

A Grécia, mergulhada há três anos numa profunda recessão, enfrenta uma dívida pública que equivale a cerca de 162% do Produto Interno Público e são cada vez mais crescentes os rumores de que o país não tem como evitar um calote. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.