Gregos voltam às ruas, mas protesto diminui

Primeiras manifestações contra os planos de austeridade após a posse do novo primeiro-ministro perdem intensidade

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2011 | 03h04

Milhares de pessoas foram às ruas ontem em Atenas para os primeiros protestos populares contra as medidas de austeridade desde a posse do novo primeiro-ministro Lucas Papademos.

O objetivo das manifestações, convocadas pelas duas maiores centrais sindicais, era advertir o novo gabinete para não adotar mais nenhum plano de rigor, mas perderam intensidade depois da crise que resultou em ameaças de exclusão da Grécia da zona do euro.

Os protestos de ontem foram realizados no dia em que se celebra o levante estudantil de 1973 contra o regime militar que governou o país entre 1967 e 1974. Entre as palavras de ordem, estiveram o já tradicional "Fora FMI", mas também "Fora União Europeia". A Grécia chegou a correr o risco de ser obrigada a abandonar a zona do euro - e por consequência a UE - quando o então primeiro-ministro, George Papandreou, decidiu convocar um referendo para deliberar sobre o último plano de socorro de € 130 bilhões, que resultará no calote de 50% da dívida pública.

Coincidência ou não, a intensidade dos protestos caiu. Se nas últimas greves gerais, em outubro e novembro, a praça central de Atenas foi transformada em campo de batalha entre a polícia e os manifestantes, ontem houve poucos enfrentamentos.

O Ministério do Interior mobilizou 7 mil agentes para controlar a multidão, mas o número de pessoas também caiu - os números variaram de 7 mil, segundo as autoridades, a 27 mil, segundo os organizadores.

Enquanto os manifestantes voltavam às ruas, o gabinete de Papademos buscava acordos sobre o plano de austeridade. Fortalecido pelo voto de confiança de 255 dos 300 deputados na quarta-feira, Papademos tem como primeiro desafio chegar a um acordo com o sistema financeiro sobre as modalidades do corte da dívida, que deve recuar de 160% a 120% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2020.

As discussões são comandadas pelo ministro da Economia, Evangelos Venizelos, e pelo presidente da Agência de Gestão da Dívida Pública (PDMA), Petros Christodoulou. Os bancos são representados pelo Instituto Internacional de Finanças (IIF), dirigido por Charles Dallara.

A proposta inicial da Grécia prevê trocar € 200 bilhões em títulos soberanos gregos, com desconto de 50%. Segundo o jornal Kathimerini, para cada obrigação atual de € 100 seria emitido um novo título, de € 40, € 35 ou € 30. A diferença até os 50% seria saldada em dinheiro no vencimento da obrigação antiga.

Já o IIF propôs, entre outras alternativas, o desconto de 50% sobre € 141 bilhões em dívidas, por meio da troca dos papéis antigos por novos com validade de 22 anos e juros de 7%. No total, o corte chegaria a € 94,5 bilhões.

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