Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Grendene lança grife de móveis no Brasil

TOG, criada em sociedade com o designer francês Philippe Starck, abre a 1ª loja no País

MARINA GAZZONI, O Estado de S.Paulo

22 Maio 2015 | 02h02

A Grendene, dona das marcas Melissa e Ipanema, e o designer Philippe Starck inauguraram ontem em São Paulo a primeira loja da TOG, marca global de móveis criada em sociedade pela fabricante de calçados e o designer francês conhecido pelo traço leve e contemporâneo. A grife chega ao mercado brasileiro com a proposta de oferecer peças de decoração personalizadas a preços acessíveis. Os produtos custam a partir de R$ 265 e utilizam um material parecido com plástico.

A Grendene e Starck já trabalharam juntos no desenvolvimento de produtos para a Melissa. A partir de 2013, começaram a negociar uma parceria para criar a marca de móveis. Os outros acionistas da TOG são o fundo de investimento Santana, do banqueiro André Esteves, e o publicitário Nizan Guanaes. A Grendene é controladora da empresa, com 42,5% do capital total e 52,1% do capital votante.

Uma das principais apostas da empresa é a possibilidade de oferecer ao consumidor um produto personalizado. Será possível, por exemplo, terminar de montar uma cadeira na própria loja. A marca também terá uma plataforma aberta de criação, na qual designers do mundo inteiro poderão montar suas peças da TOG e vender na plataforma, explicou Starck..

O designer lembrou que o design deixou de ser elitista nos últimos anos com a produção em massa de peça de decoração. "Mas isso gerou um mal-estar no consumidor. Porque as pessoas não querem ter uma cadeira igual à de todo mundo. Há uma necessidade de customização com baixo custo", disse, durante a inauguração da loja.

Atualmente, a marca é vendida por canais online e em lojas multimarcas em países da Europa, Ásia e Américas. Segundo a presidente da TOG, Florence Sentilhes, a empresa quer aproveitar a "flaghship" (loja-conceito) para trabalhar o posicionamento da marca no Brasil e testar a aceitação do produto.

Localizada no bairro Itaim Bibi, a loja paulista terá uma barbearia e um estúdio de tatuagem. O espaço também receberá eventos, como apresentações de música, encontros gastronômicos e cursos de extensão da Faculdade de Belas Artes.

Questionada por que a TOG lança a operação no Brasil em um momento de crise no País, Florence diz que "a visão é de longo prazo". "As crises vêm e vão. Temos de seguir com os negócios. A marca é global, não foi criada pensando só no Brasil. Mas é claro que temos uma conexão com o País porque o controlador é brasileiro."

Estratégia. A empresa nasceu com investimento inicial de R$ 52 milhões e previsão de alcançar um faturamento anual de R$ 100 milhões em dois anos. O lançamento da marca foi feito na Itália em abril de 2014, onde hoje funciona a sede da TOG e onde são produzidas as peças.

"Não vamos produzir no Brasil apenas porque o controlador é brasileiro. Vamos produzir onde for mais competitivo, porque precisamos ter um custo adequado para oferecer um preço acessível", disse o diretor de relações com investidores da Grendene, Francisco Schmitt.

Segundo ele, a operação da TOG não tem sinergias com a da Grendene - a produção não será feita nas fábricas da empresa e não há planos de compra conjunta de mercadoria. "É uma nova oportunidade de negócios. Temos uma inteligência com a matéria-prima (plástico) no setor de calçados e podemos usar isso em outra indústria. Mas a TOG não foi criada para ocupar capacidade ociosa da fábrica da Grendene."

Mais conteúdo sobre:
GrendeneO Estado de S. Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.