Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Greve no Banco Central: servidores e governo se reunirão nesta terça

Sindicato se diz aberto a negociar, mas ameaça intensificar a paralisação se nenhuma proposta de reajuste for apresentada pelo Ministério da Economia

Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2022 | 12h09

Brasília - Em meio à greve de servidores do Banco Central, o Sindicato Nacional de Funcionários do BC (Sinal) informou que terá reunião com o secretário de Gestão e Desempenho Pessoal do Ministério da Economia, Leonardo Sultani, nesta terça-feira (5), às 10h30. Se não houver proposta oficial do governo, o Sinal avisa que a greve deve ser mantida e intensificada, mas sinalizou disposição à negociação. A paralisação por tempo indeterminado da categoria foi iniciada na última sexta-feira (1), em busca de reestruturação da carreira e recomposição salarial de 26,3%.

"O movimento trouxe o primeiro resultado: somente com a greve acontecendo é que obtivemos a primeira reunião oficial com o Governo", disse, em nota o presidente do Sinal, Fábio Faiad. "Queremos a apresentação de uma proposta oficial por parte do Governo. Se não houver proposta oficial, a nossa resposta deve ser a manutenção e a intensificação da greve."

Faiad disse ao Broadcast que a categoria está disposta a negociar e que pode conversar sobre um reajuste menor do que o pedido em conjunto com outras correções, como o aumento do vale alimentação e diárias. "A ideia é abrir o canal de negociação para achar alternativa, inovação, criatividade no processo. O problema é que o governo não abriu negociação. A primeira reunião vai ser agora."

A greve dos servidores já impacta diversas divulgações importantes do BC, como o Boletim Focus, o fluxo cambial e as estatísticas de setor externo, crédito e fiscais. O órgão cancelou as publicações nos dias que estavam programadas e ainda não indicou novas datas.

Em reunião na última sexta-feira, os sindicatos que representam a categoria e a administração do BC decidiram que o Pix, o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) e as mesas de operação seriam considerados serviços essenciais e seriam mantidos em esquema de contingência durante a mobilização. Mas ainda há questões em aberto a serem discutidas em nova reunião hoje, segundo o presidente do Sinal.

"Vai ter briga a semana inteira. Não está fechada, porque colocaram Museu de Valores e atividades burocráticas que não fazem sentido nessa lista de serviços essenciais. Manter serviços essenciais é correto e os servidores têm responsabilidade de fazê-lo. Mas Museu de Valores do BC pareceu a essa altura do campeonato soou como provocação desnecessária da diretoria do banco", disse Faiad.

Segundo o Sinal, cerca 725 comissionados abandonaram seus cargos e a expectativa de adesão à greve é de 60% do quadro de pessoal da autarquia. O BC tem 3.500 servidores.

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