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Greve continua na GM de São José dos Campos e já afeta produção em outras unidades

Paralisação continua após reunião no Tribunal Regional do Trabalho ontem terminar sem acordo; trabalhadores querem audiência com a presidente Dilma Rousseff

Igor Gadelha e Gerson Monteiro, O Estado de S. Paulo

25 Fevereiro 2015 | 10h10


Após reunião sem acordo ontem no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 15ª Região, em Campinas (SP), trabalhadores da General Motors (GM) da fábrica de São José dos Campos (SP) aprovaram a continuidade da greve, pelo quarto dia útil seguido. Durante assembleia na manhã desta quarta-feira, 25, eles aprovaram também um pedido de audiência com a presidente Dilma Rousseff, para discutir a situação do emprego na GM.

A greve começa a afetar as unidades de São Caetano do Sul e Gravataí, já que na GM de São José dos Campos são produzidos motores.

Diferente dos outros dias de paralisação, os 3 mil trabalhadores do turno da manhã resolveram voltar para casa após a assembleia. Eles caminharam pela pista marginal da Rodovia Presidente Dutra e foram se dispersando. Às 8h20, eram 100 trabalhadores e um carro de som na portaria 3.

Desde sexta-feira, quando deflagraram a greve, a maioria deles ficou de braços cruzados dentro da fábrica durante o expediente. "Preferimos utilizar essa forma de greve, porque está tendo muita pressão por parte da montadora", explicou o secretário geral do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Luiz Carlos Prates.

Ontem, a GM conseguiu na 2ª Vara do Trabalho de São José um interdito proibitório para impedir bloqueios por parte do sindicato na fábrica. Na prática, a greve continua, mas o sindicato não pode impedir os trabalhadores que querem trabalhar de voltarem à produção. Caso faça qualquer bloqueio, a entidade terá de pagar multa de R$ 50 mil por cada ato. A empresa já comunicou a decisão aos funcionários, e alguns deles voltaram ao trabalho.

O sindicato promete entrar com recurso nesta quarta-feira contra a decisão do interdito proibitório. Para a entidade, a GM está utilizando essa medida para "pressionar os trabalhadores a retomarem a produção". Na avaliação do sindicato, a ação judicial viola o direito de greve. No início da tarde, uma nova assembleia será realizada com os funcionários daquele turno, para decidir os rumos da paralisação.

Reunião no TRT. Durante a reunião ontem no TRT, a empresa propôs aos funcionários colocar 798 trabalhadores em lay-off (suspensão temporária dos contratos de trabalho) por 60 dias, comprometendo-se a voltar a discutir a situação da fábrica após 45 dias. Os trabalhadores, contudo, rejeitaram a proposta e propuseram à GM ampliar esse lay-off para cinco meses, desde que os colaboradores tivessem estabilidade no emprego de seis meses. A GM recusou.

O presidente da reunião, desembargador Lorival Ferreira dos Santos, então, propôs a adoção de lay-off por cinco meses, com mais três meses de estabilidade no emprego. A proposta foi aceita pelo sindicato e aprovada na assembleia da manhã de hoje. No entanto, a montadora recusou a nova proposta. Com isso, a ação de dissídio coletivo ajuizada pela GM vai para julgamento pelo pleno do TRT.

Antes disso, o processo será remetido ao Ministério Público do Trabalho (MPT), para emissão de parecer, e voltará para o TRT para que a data de julgamento seja definida. Como o trâmite da ação deve demorar, o secretário-geral do sindicato diz que já comunicou à montadora que está "aberto" a negociar diretamente com a direção da fábrica, mas ponderou que não abre mão da estabilidade por pelo menos três meses após o lay-off.

O sindicato também aguarda retorno do Ministério do Trabalho, ao qual recorreu na última quinta-feira, pedindo que intermediasse as negociações, mas ainda não obteve retorno. Na manhã dessa terça-feira, a assessoria do ministério informou que o ministro Manoel Dias estava aguardando a reunião de ontem no TRT e que, caso não houvesse acordo, ele marcaria uma reunião de conciliação no ministério ainda essa semana.

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