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Greve de 48 horas na Eletrobrás pode ser prolongada

Funcionários questionam desmantelamento do grupo e querem receber PLR, apesar do prejuízo da holding em 2013

Wellington Bahnemann, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2014 | 02h08

RIO - Os funcionários do sistema Eletrobrás, que promovem uma paralisação de 48 horas desde a zero hora de ontem, ameaçam entrar em greve por tempo indeterminado na próxima semana se não houver evolução nas conversas com a direção da estatal e o governo. Os empregados questionam o desmantelamento do grupo e tentam assegurar o pagamento da participação dos lucros e resultados (PLR), apesar do prejuízo apurado pela holding federal em 2013.

"No próximo dia 30, o movimento sindical vai se reunir em Brasília para avaliar a situação. Se não houver reunião com a direção da empresa e com o governo, vamos votar um indicativo de greve por tempo indeterminado", afirmou o diretor da Associação dos Empregados da Eletrobrás (Aeel) Emanuel Torres. Até o momento, o sindicalista informou que não há nenhuma indicação de uma reunião com a empresa, apesar da "paralisação de advertência". "O presidente (José da Costa Carvalho Neto) ainda não se manifestou sobre a paralisação."

Atualmente, apenas os funcionários da área administrativa de todas as companhias do sistema Eletrobrás participam da paralisação. Porém, Torres assegurou que a greve por tempo indeterminado também contará com a adesão dos empregados da área operacional. Isso aconteceu no ano passado, quando os trabalhadores do grupo interromperam as atividades durante as discussões sobre o acordo coletivo 2013/2014. No entanto, a greve não afetou o abastecimento de energia na ocasião.

Cenário. A Eletrobrás reportou um prejuízo líquido de R$ 6,287 bilhões em 2013. Em 2012, o resultado também foi negativo, em R$ 6,879 bilhões.

Entretanto, os funcionários argumentam que não podem ser punidos pelas perdas, sob o argumento de que o caixa da estatal estaria sendo prejudicado por decisões do governo e da direção da empresa - como a Medida Provisória (MP) 579, que estabeleceu as regras para a renovação das concessões que vencem entre 2015 e 2017.

O pagamento de participação nos lucros é referente aos resultados verificados no ano anterior. Embora a estatal já tivesse registrado prejuízo em 2012, os funcionários conseguiram que a Eletrobrás pagasse o PLR aos empregados no ano passado com base no princípio de cumprimento de metas.

Além disso, Torres lembrou que a Eletrobrás, apesar das perdas, distribuiu R$ 868 milhões em dividendos aos acionistas referentes ao exercício de 2012 e pagará o mesmo valor relativo ao resultado de 2013.

O acordo coletivo dos funcionários do grupo estabelece que o PLR seja equivalente a 25% do valor dos dividendos de modo a pagar duas folhas salariais dos empregados da estatal.

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