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Greve de auditores fiscais desabastece indústrias

A greve dos auditores fiscais, que nos últimos dois meses tem provocado um atraso na liberação das importações e exportações nos portos e aeroportos do País, já começa a provocar desabastecimento e queda de produção em alguns setores. "É um problema grave para o setor eletroeletrônico, bastante dependente da importação de peças e componentes", afirma Fernando Loureiro, diretor da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).Segundo o diretor, um número expressivo de empresas está enfrentando problemas com a liberação de mercadoria. Na primeira semana de junho, as importações do setor caíram 41,8% ante o mesmo período no ano passado. Hoje, a Abinee convocou uma reunião para discutir alternativas para apresentar ao governo caso a greve não seja interrompida até o final desta semana. A principal sugestão da entidade é a inclusão de empresas consideradas "boas cidadãs", sem dívidas com o Fisco, no chamado canal verde, que dispensa fiscalização.A greve dos auditores fiscais começou de forma parcial no dia 9 de abril, com paralisações de 24 horas semanais ou 48 horas semanais. Porém, nas últimas duas semanas a greve passou a ser permanente. Em alguns portos ou estações aduaneiras de fronteira, como Uruguaiana (RS) ou Corumbá (MS), as filas de caminhões chegam a cinco quilômetros. "A importação está praticamente toda represada", afirma Miguel de Oliveira, diretor do Unafisco, sindicato dos auditores fiscais da Receita Federal. "Não costumamos segurar as exportações, só em alguns casos, para não afetar a economia." O tempo de atraso nas liberações varia de uma semana a um mês.Juntamente com o desaquecimento da economia, a greve dos auditores fiscais é apontada pela Associação do Comércio Exterior do Brasil (AEB) como uma das principais explicações para o reduzido volume da corrente de comércio (importações e exportações) nos últimos meses. Apesar de a balança acumular saldo de US$ 2 bilhões desde o início do ano, as exportações de janeiro a maio caíram 12,2% em relação ao mesmo período no ano passado. Já as exportações caíram 21,4%. "O volume do comércio está muito baixo para esta época do ano e isso se dá claramente por causa da greve", afirma José Augusto de Castro, diretor da AEB. "A paralisação afeta não apenas as exportações e importações, como a imagem do País. Para quem está exportando pela primeira vez, um atraso no embarque de mercadoria pode significar a perda de um cliente."Os auditores fiscais lutam pela aprovação de uma lei que estabelece, entre outras coisas, um plano de carreira da categoria. Também querem um reajuste salarial de 21,66% e a revogação de algumas normas de trabalho. O projeto está na pauta do Congresso desta semana e a expectativa do Unafisco é de que seja votado entre terça-feira e quarta-feira. Caso isso não aconteça, a paralisação deverá continuar.

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