Greve de caminhoneiros afeta abastecimento de oxigênio em hospitais na Bahia

Caminhões carregados com entre 180 a 200 cilindros estão parados nas rodovias estaduais e federais

Mário Bittencourt, especial para o Estado

24 Maio 2018 | 16h44

VITÓRIA DA CONQUISTA (BA) - A greve nacional dos caminhoneiros, em seu quarto dia nesta quinta-feira, afeta o abastecimento de oxigênio em hospitais da Bahia. Em dois deles, só há oxigênio para esta sexta. Caminhões carregados com entre 180 a 200 cilindros estão parados nas rodovias estaduais e federais, devido aos bloqueios, ou tiveram de retornar para as empresas distribuidoras do produto.

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A situação mais grave é em Juazeiro, cidade de 221 mil habitantes no norte baiano e onde os dois principais hospitais da cidade só têm oxigênio para até esta sexta-feira. No Hospital Materno-infantil (gestão municipal) há apenas um tubo de 1.500 metros cúbicos de oxigênio e 120 cilindros de 8 a 25 metros cúbicos, segundo a Prefeitura.

A direção do Hospital Regional (gerido pelo Estado), que aguarda a chegada de 4 mil metros cúbicos de oxigênio, não informou a quantidade atual, mas garantiu que só dá para ficar até o meio dia desta sexta.

A empresa que abastece os hospitais de Juazeiro, a Diox Distribuidora de Oxigênio, informou que o caminhão com 10 mil metros cúbicos de oxigênio saiu nesta quinta de Simões Filho (Região Metropolitana de Salvador), a 509 km de Juazeiro. O trajeto mais rápido entre Simões Filho e Juazeiro é pelas BRs 324 e 407. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), na BR-324 há bloqueios parciais ou totais nos quilômetros 542, 600, 613 e 617, na Região Metropolitana de Salvador.

Na BR-407, os bloqueios ocorrem nos quilômetros 131 (próximo a Senhor do Bonfim) e 230 (imediações de Capim Grosso). Nos bloqueios das duas rodovias os caminhões de carga estão proibidos de passar.

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“Estamos tentando ver com a PRF um apoio para que o caminhão possa passar por essas barreiras. Apoiamos a manifestação, mas os caminhoneiros têm de entender que os hospitais precisam ser atendidos”, declarou o administrador do segmento medicinal da Diox Jorge Henrique Santos. Risco ao atendimento.

Em nota, a Prefeitura de Juazeiro comunicou que “espera que essa situação seja resolvida o mais rápido possível e não interfira o atendimento à saúde da população.” No total, a empresa precisa fazer entregas em 30 hospitais públicos e particulares de 15 cidades da Bahia. Em Brumado, no sudoeste, há outro caminhão da empresa que está parado num bloqueio. “

Nas outras cidades, o oxigênio que tem dá para ficar até o final de semana”, informou Santos, que solicitou ainda apoio do Ministério Público Federal para tentar fazer com que a passagem dos caminhões da empresa seja possível. Em Vitória da Conquista, no sudoeste do estado e a terceira maior cidade baiana, com 348 mil habitantes, o Hospital Geral (gestão estadual) está com dois caminhões de oxigênio presos nos bloqueios desde esta quarta-feira.

Segundo a direção da unidade hospitalar, a maior do município, os caminhões da empresa White Martins estão nos bloqueios de Brumado e Santo Estevão. A quantidade de oxigênio do hospital dá para ficar até o final de semana.

Em nota, a White Martins informou que a paralisação tem afetado a operação de entrega dos produtos, mas que a empresa vem conseguindo manter a entrega de gases medicinais aos seus clientes na Bahia. Segundo a Secretaria de Saúde da Bahia, “não existe desabastecimento em nenhuma unidade estadual” e “os fornecedores estão comprometidos com o fornecimento regular”. “Se necessário, serão escoltados pela Polícia Militar a fim de garantir o suprimento das unidades”, diz a nota do governo.

Farmácias e hospitais. A Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo enviou um e-mail aos presidentes da República, da Câmara e do Senado "alertando para o iminente desabastecimento dos hospitais e serviços de saúde, caso persista a greve dos caminhoneiros".

Segundo o presidente, Yussif Ali Mere Junior, os hospitais podem ficar sem o abastecimento de oxigênio, materiais, medicamentos e insumos em geral, como suprimentos para diálise. “Precisamos garantir com urgência o abastecimentos das redes de saúde para manter o atendimento à população. Trabalhamos com estoques reduzidos e necessitamos de abastecimentos regulares, como por exemplo, de 2 em 2 dias, 3 em 3 dias, no caso de reposição de oxigênio, afirmou.

A Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) também se pronunciou sobre os protestos. Em nota, afirmou que farmácias e drogarias de todo o País já sofrem com o desabastecimento de produtos essenciais.

"Um dos principais problemas referem-se aos medicamentos termolábeis, que devem ser mantidos refrigerados e necessitam de temperatura estável até o seu destino final – algo impossível de ser garantido com um veículo travado nas estradas", diz Sergio Mena Barreto, presidente executivo da associação. 

Segundo ele, na manhã desta quarta-feira, dia 23, veículos que transportavam medicamentos dos distribuidores e centros de distribuição até os pontos de venda chegaram a ser apedrejados, e seus motoristas agredidos fisicamente. 

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