Petros Giannakouris/AP
Petros Giannakouris/AP

Greve de caminhoneiros na Grécia provoca escassez de combustíveis

Paralisação que já dura cinco dias deixa mais de 95% dos postos de gasolina de Atenas desabastecidos

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

30 de julho de 2010 | 15h55

Um comitê interministerial da Grécia decidiu reprimir uma greve de caminhoneiros que transportam combustíveis e outros produtos no país após a manifestação, que dura cinco dias, deixar mais de 95% dos postos de gasolina da região metropolitana de Atenas e grande parte dos postos de Tessalonica - a segunda maior cidade grega - desabastecidos, segundo a imprensa local.

"A recusa em retornar ao trabalho é um insulto pesado às leis, prejudica o conjunto social e será confrontada", afirmou o porta-voz do governo grego, George Petalotis, em um comunicado. "Qualquer um que desobedecer a ordem de mobilização civil para voltar ao trabalho enfrentará sanções legais, que podem incluir a perda das licenças para dirigir caminhões", disse Petalotis. A lei também prevê a aplicação de multas e até mesmo a prisão dos motoristas que não obedecerem.

Na quarta-feira, o governo grego ordenou que os caminhoneiros - especialmente aqueles que transportam combustíveis e produtos perecíveis - a voltar ao trabalho, mas não foi obedecido. Hoje cedo, Giorgos Tzortzatos, diretor da federação de caminhoneiros da Grécia, afirmou a jornalistas após uma reunião da associação que a greve continuará. Os caminhoneiros também disseram que pretendem questionar a ordem do governo na Suprema Corte.

O exército da Grécia será mobilizado para fornecer combustíveis aos aeroportos, para a geração de eletricidade e para os hospitais. Navios da marinha também contribuirão para o esforço, caso necessário, para suprir o consumo nas ilhas gregas, que passam pelo pico do período de visitação turística.

Na ilha de Creta, alguns hotéis disseram que há pouco combustível para levar os turistas ao aeroporto. No norte da Grécia, milhares de turistas do Leste Europeu ficaram sem combustível para poder dirigir de volta para casa, enquanto outros abandonaram seus veículos alugados na beira da estrada.

O prejuízo, no entanto, não se restringe à indústria de turismo. Em Véria, cidade do norte da Grécia, os produtores de pêssego disseram que mais de 25% da produção foi perdida por causa dos protestos, já que as frutas não puderam ser entregues às fábricas, que por sua vez estão fechadas em razão da escassez de combustível. As informações são da Dow Jones.

 
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