Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Greve de caminhoneiros provoca falta de alimentos e combustível em SP e no Rio

Na capital paulista, paralisação deve afetar circulação de ônibus nesta quinta-feira; no Rio, sem diesel, os ônibus não devem circular já na próxima sexta-feira

José Maria Tomazela, Renata Batista, Roberta Jansen e Dayanne Sousa, O Estado de S.Paulo

23 Maio 2018 | 09h42

O protesto dos caminhoneiros contra o aumento do diesel, que entrou no terceiro dia, já deixa postos sem combustíveis no interior de São Paulo e supermercados com abastecimento comprometido na capital paulista e também no Rio de Janeiro. 

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Os reflexos também atingiram a circulação das cidades. O Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo de São Paulo (SPUrbanuss) informou que oito das 16 empresas não terão como operar integralmente já nesta quinta-feira, 24, por falta de diesel. No Rio, se os caminhões de combustível não chegarem às garagens das empresas nas próximas 24 horas, a previsão é de paralisação total do transporte público na sexta-feira, 25. Também afetado, o aeroporto de Brasília limitou pousos por falta de combustível.  

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A Associação Paulista de Supermercados (Apas) afirmou que há desabastecimento sobretudo em itens perecíveis que precisam de reposição diária nos mercados paulistas, como frutas e verduras. Os caminhões que transportavam o produto aderiram ao protesto e estão parados às margens da Via Dutra.

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Com preços de hortifrutigranjeiros em disparada e desabastecimento de alguns produtos, a Central de Abastecimento do Rio de Janeiro (Ceasa), principal polo de distribuição de alimentos do Estado, virou ponto de concentração de caminhoneiros em greve. Centenas estão lá desde o fim da semana passada, 21, quando começaram a chegar de vários pontos do País e não voltaram à estrada. Almoçam, jantam e dormem no local, sob a expectativa de que o movimento reduza o preço do diesel. Em consequência, produtos como couve, batata e vários outros começam a faltar e já registram alta de preços.  O saco de 50 kg  de batata, por exemplo, que custava R$ 60, passou a ser negociado a R$ 300. 

“Tem que aderir à greve para melhorar para a  gente. Eu saía de São Mateus com R $ 500. Hoje, com o preço do diesel, não posso sair com menos de R $ 1 mil, disse o caminhoneiro Ivair Pereira, de 53 anos.

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Postos. Em cidades da região, os postos começam a ficar sem combustível nas bombas. Em São José dos Campos, havia filas em postos do Jardim Paulista, onde a gasolina comum havia acabado. Os frentistas ofereciam apenas gasolina aditivada e etanol. Em Pindamonhangaba, um posto na rua Japão também ficou sem gasolina comum e subiu o preço da aditivada, vendida a R$ 4,67. Também havia postos sem gasolina em Taubaté. A reportagem entrou em contato com o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo. 

Transporte. O Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SPUrbanuss) enviou ofício à Prefeitura de São Paulo nesta quarta, informando que oito das 16 empresas do sistema estrutural da cidade (não inclui os lotações) não terão como operar integralmente já nesta quinta.

Em Jacareí, a empresa Jacareí Transporte Urbano (JTU), responsável pelo transporte coletivo na cidade, reduziu o número de veículos em circulação, prevendo a falta de combustível. A empresa tem posto de combustível próprio, mas está sem receber diesel para repor o estoque. 

Se os caminhões de combustível não chegarem às garagens das empresas de ônibus do Rio de Janeiro nas próximas 24 horas, a previsão é de paralisação total do transporte público na sexta-feira, 25. Nesta quarta-feira, 23, terceiro dia da grave dos caminhoneiros, 40% da frota (de 23 mil veículos) não circulou na região metropolitana do Rio. A previsão para quinta-feira é de que 70% dos ônibus não circulem se os estoques não forem repostos.

“A situação é gravíssima”, afirmou o gerente de Planejamento e Controle da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Rio (Fetranspor), Guilherme Wilson. “Estamos monitorando a situação desde segunda-feira e o problema se intensificou de ontem pra hoje; já sabíamos que haveria indisponibilidade de combustível para operar a frota toda hoje.”

 A Advocacia-Geral da União (AGU) informou nesta quarta-feira que obteve cinco decisões liminares que proíbem a obstrução de rodovias federais nos Estados do Paraná, Minas Gerais, Paraíba e Rondônia durante manifestações de caminhoneiros. As decisões foram obtidas desde a segunda-feira, 21, quando a categoria decidiu entrar em greve em protesto contra o preço do diesel.

 

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