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Greve de caminhoneiros provoca falta de combustível e já afeta produção

Movimento de caminhoneiros pela redução do preço do diesel e reajuste do frete paralisa fábricas e interrompe distribuição de alimentos 

O Estado de S. Paulo

24 Fevereiro 2015 | 11h36

Atualizado às 23h10

O protesto dos caminhoneiros ganhou força nesta terça-feira e se espalhou por diversos pontos do País. A interrupção de várias estradas alcançou 12 Estados, prejudicou a circulação de motoristas, fez fábricas pararem de funcionar e impediu o fornecimento de alimentos em centros de distribuição e supermercados. Com o fim das manifestações no Rio, 11 Estados mantiveram interdições durante a noite. 
Os manifestantes reivindicam redução no preço do diesel, aumento e tabela única para o frete, melhoria nas estradas, mudanças na Lei do Caminhoneiro e isenção de pedágio para os veículos com eixos suspensos.

Preocupado com as repercussões econômicas e políticas do movimento, o governo decidiu se reunir com as principais empresas e caminhoneiros. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, anunciou uma mesa de negociações para discutir o valor do frete.

Impactos. Em Minas Gerais, a interdição da rodovia Fernão Dias obrigou a unidade da Fiat a parar a produção por mais de 24 horas. A montadora funciona com linhas de montagem em sequência e foi afetada pelos bloqueios, deixando de receber peças utilizadas na produção. Os funcionários do turno da tarde e da noite de segunda-feira e dos três turnos de foram dispensados. 

Até as 23 horas desta terça-feira, a Justiça havia determinado a liberação de rodovias bloqueadas em quatro Estados: Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Rio Grande do Sul. Ficou definida ainda multa de R$ 50 mil ao Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC), apontado como organizador do protesto, e de R$ 5 mil a cada motorista que descumprir a ordem. 

Em São Paulo, o movimento dos caminhoneiros fechou, no fim da manhã, a entrada do viaduto da Alemoa, na Via Anchieta, bloqueando o acesso ao Porto de Santos. A pista sul da rodovia foi interrompida no quilômetro 64. Houve congestionamento por cinco quilômetros. No Rio, comerciantes que trabalham na Ceasa-RJ relataram dificuldades no fornecimento de batata inglesa e cenoura para a região metropolitana.

No Sul, o movimento dos caminhoneiros afetou a produção de aves e suínos e provocou a falta de produtos nos supermercados do norte e noroeste do Paraná. Pães industrializados, verduras, tomate e leite de saquinho (in natura) desapareceram das redes de supermercados. Faltou alimento também em Santa Catarina. 

A JBS - uma das principais empresas produtoras de frangos e suínos - paralisou a produção de oito fábricas no País: quatro localizadas em Santa Catarina, duas no Paraná, uma no Rio Grande do Sul e uma em Mato Grosso do Sul.

A suspensão das atividades ocorreu um dia depois de a BRF ter paralisado a produção de dois frigoríficos localizados no Paraná por falta de matéria-prima, por conta dos protestos.

O movimento dos caminhoneiros também afetou a colheita de soja em Mato Grosso. O bloqueio deixou os produtores sem combustível para abastecer as colheitadeiras e impediu que os caminhões carregados com soja se deslocassem para os portos de Santos e de Santarém, no Pará.

(Reportagem de José Maria Tomazela, Marcelo Portela, Lucas Azevedo, Rene Moreira, Tomás Petersen, Zuleide de Barros, Lúcia Morel, Fátima Lessa, Tiago Décimo, Sandro Villar, Marília Assunção, Vinicius Neder, Luiz Guilherme Gerbelli, Anna Carolina Papp, Márcia de Chiara)

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