Greve de caminhoneiros trava a Via Dutra no Rio

Protesto por baixo valor do frete e a instituição do cartão-frete paralisa 11,7 Km no sentido Rio-SP e 17 Km na via oposta

VINICIUS NEDER / RIO, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2012 | 03h06

A greve dos caminhoneiros, iniciada na quarta-feira passada, atingiu ontem a principal rodovia do País, a Via Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro. Manifestantes começaram protestos no domingo, fechando a estrada nos dois sentidos, mas o bloqueio, concentrado no quilômetro 276, altura de Barra Mansa, região Sul do Estado Rio, foram mais duradouros de manhã.

Segundo comerciantes do principal entreposto comercial de hortifrutigranjeiros do Rio, os preços de frutas e legumes subiram por falta de oferta.

Segundo a concessionária Nova Dutra, que administra a rodovia, os engarrafamentos atingiram 11,7 quilômetros, no sentido Rio-São Paulo, e 17 quilômetros, no sentido São Paulo-Rio. A estrada foi fechada também em Paracambi, na Serra das Araras, com engarrafamentos menores.

O Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC), marcou reunião com representantes dos ministérios dos Transportes e do Trabalho e Emprego para hoje, às 16h, em Brasília. Segundo Nélio Botelho, presidente do MUBC, a adesão dos caminhoneiros à greve está em 75%, na média nacional, mas os bloqueios não foram ação da entidade.

Segundo o dirigente do MUBC, o congestionamento de ontem na Via Dutra foi fruto do "acúmulo de caminhões". As pistas foram liberadas quando a Polícia Rodoviária Federal (PRF) conseguiu organizar o trânsito. A MUBC credita a greve a dois motivos principais: o baixo valor do frete e a instituição do cartão frete. "Tem o problema da lei do tempo de direção, que não tem como ser cumprida por falta de estrutura nas rodovias", afirmou Botelho, referindo-se à Lei Federal 12.619, que regulamenta a profissão de motorista, impondo restrições à carga horária dos caminhoneiros.

Por outro lado, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes (CNTT) não reconhece o movimento grevista e duvida da grande adesão. Segundo o presidente da entidade, Paulo João Estausia, há influência de empresários no movimento, pois a Lei 12.619 - que, segundo ele, não se aplica a autônomos - obrigará as empresas a contratarem mais e a aumentarem a frota. A CNTT denunciará essa participação patronal ao Ministério Público do Trabalho e aos ministérios do Trabalho e da Justiça.

Minas. Após o caos provocado com o bloqueio de várias estradas na sexta-feira, a Justiça Federal em Minas Gerais proibiu caminhoneiros de fazerem interdições totais de rodovias federais que cortam o Estado. A categoria, que está em greve desde a quarta-feira , já havia planejado novas manifestações ontem em Minas, estado com maior malha viária do País, mas, com a determinação judicial, a situação ficou tranquila durante todo o dia, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

A decisão contra o Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC), responsável pela organização nacional da paralisação da categoria, foi expedida pelo juiz Pedro Pereira Pimenta, da 17ª Vara Federal em Minas, que atendeu a pedido do Ministério Público Federal (MPF) e determinou multa diária de R$ 10 mil, além de possibilidade responsabilização administrativa e penal dos envolvidos, em caso de descumprimento.

Rio Grande. Caminhoneiros contrários a alguns itens da regulamentação da profissão fizeram manifestações em 14 trechos de rodovias do Rio Grande do Sul nesta segunda-feira. Houve bloqueio temporários e as estradas foram liberadas depois de negociações com as Polícias Rodoviárias Federal e Estadual./ COLABORARAM MARCELO PORTELA e ELDER OGLIARI

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