Greve de cegonheiros deixa 15 mil carros da GM no pátio

A General Motors do Brasil deixou de entregar às concessionárias cerca de 15 mil veículos desde o dia 18 até hoje por causa da greve dos cegonheiros, categoria responsável pelo transporte de veículos zero quilômetro entre as concessionárias ou portos. "Está sendo um desastre, nossos pátios estão abarrotados", afirmou nesta quarta-feira José Carlos Pinheiro Neto, vice-presidente da GM do Brasil, após o lançamento oficial do Astra multicombustível, no local de testes da montadora em Indaiatuba (SP).Segundo Pinheiro Neto, a empresa está sentindo a conseqüência da paralisação da categoria no fluxo de caixa, pois está faturando menos veículos. A montadora já prevê diminuição nos números de vendas de agosto e corre o risco de perder a liderança no mercado de automóveis este mês. O executivo contou que a montadora fez uma concorrência para contratar 20 transportadoras e evitar mais problemas. O fluxo de exportação não está sendo prejudicado, porque os cegonheiros se comprometeram a prosseguir com o transporte para os portos.O Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sindicam) é o articulador da greve e protesta contra a decisão da Justiça do Rio Grande do Sul que obriga a GM, sob pena de multa, a repassar parte da carga de veículos novos, atualmente transportada por empresas filiadas à Associação Nacional das Empresas Transportadoras de Veículos (ANTV), para outras transportadoras desvinculadas da associação e do Sindicam.Conforme o Sindicam, menos de 10% dos cegonheiros perderão seus postos de trabalho. No início do ano, o Tribunal Regional Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre (RS), acolheu pedido do Ministério Público Federal e determinou à GM, por meio de liminar, a contratação de novos transportadores não filiados às entidades citadas. O Ministério Público entrou com a ação para combater a formação de cartel, alegando que os consumidores estão sendo prejudicados pelos altos preços cobrados pelos cegonheiros.PrejuízoA GM liderou as vendas de automóveis no mercado nacional nos primeiros sete meses do ano. De acordo com Pinheiro Neto, a montadora descarta a liderança a qualquer preço. Com faturamento de R$ 12 bilhões em 2003, a empresa vem tendo prejuízo no Brasil há cinco anos. "Teremos prejuízo ainda em 2004 e possivelmente o equilíbrio a partir de 2005" , declarou o vice-presidente. A GM espera um aumento de 25% nas exportações este ano, em relação a 2003, chegando a US$ 1,5 bilhão (a companhia contabiliza os carros exportados em CKD, desmontados).

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