Greve de fiscais afeta exportações do pólo de alimentos de Marília

A greve dos fiscais da Receita Federal, que já dura duas semanas, está causando prejuízos para empresas exportadoras do pólo de alimentos de Marília, no interior de São Paulo. A paralisação atrasa os embarques, encarece em até 50% os custos alfandegários e atrasa fechamentos de novos negócios com clientes internacionais."Se não bastasse a supervalorização do real, reduzindo o valor do dólar e dificultando as exportações, agora vem essa greve", reclama Derci Comandini, da Danilla Foods e conselheiro da Associação das Indústrias de Alimentos do Pólo de Marília (Adima).O pólo de Marília possui cerca de 100 indústrias, que empregam 6 mil trabalhadores, 25% delas exportam para países de todos os continentes do mundo. No ano passado, as indústrias do pólo faturaram US$ 22 milhões com produtos vendidos no exterior. Os maiores compradores são EUA, Venezuela, Argentina e África do Sul. De acordo com Comandini, a greve causa um aumento de 30% e 50% nos custos de embarque, como estadia prolongada, por exemplo. Segundo ele, o custo total de um contêiner de 20 pés no porto de Santos é de R$ 1 mil, mas com a greve ele sobe até para R$ 1,5 mil. Mas pior que isso é a falha de não entregar os produtos no prazo previsto, o que atrasa o fechamento de novos pedidos. "Isso acontece porque só depois recebe a mercadoria é que o cliente fecha novas compras. Com esse atraso, qual cliente vai querer comprar de vendedores que não cumprem prazos de entregas", declara.Segundo Comandini, empresas exportadoras de Marília estão atrasando fechamento de novos pedidos com o exterior. "Por enquanto nenhum pedido foi cancelado, mas deixamos de ganhar uma quantia inestimável", diz.

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