Greve de fiscais gera acúmulo de pedidos em Uruguaiana

A Associação Brasileira dos Transportadores Internacionais (ABTI) enviou correspondência à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pedindo sua ajuda em uma solução para a greve dos auditores fiscais da Receita Federal. O movimento nacional começou no dia 18 de março. No porto seco de Uruguaiana, na fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina, a categoria optou por realizar operação padrão na verificação das cargas. Com a medida, cerca de 250 pedidos de exportação e importação esperavam a fiscalização dos funcionários hoje para que os caminhões das mercadorias prosseguissem viagem, conforme estimativa dos transportadores. "O pátio (do porto seco) está ficando lotado, porque há veículos que ingressam e não saem", descreveu o gerente executivo da ABTI, José Elder Machado. O local tem capacidade para aproximadamente 800 caminhões. Apesar da espera, não há filas, disse o dirigente, pois vários motoristas optaram por estacionar nas proximidades do local para aguardar uma melhora no ritmo de liberação das cargas. Os veículos que chegam ao porto seco são classificados de acordo com os canais de verificação: verde tem liberação imediata, laranja (exportação) passa por análise de documentos e vermelho é submetido a uma avaliação completa. Na importação, valem os mesmos critérios, com o amarelo substituindo o canal laranja.O feriado prolongado de Páscoa, na semana passada, ajudou a diminuir o movimento de cargas em Uruguaiana, mas os transportadores estão preocupados com os próximos dias, pois a semana será completa e a maioria das cargas não atende aos critérios de liberação rápida (perecíveis, medicamentos, inflamáveis e outros). A Argentina também teve um feriado hoje, o que ajudou a atenuar um pouco o envio de cargas para a fronteira. Por Uruguaiana, circulam produtos metalmecânicos, farinha de trigo, madeira, zinco, cobre e bobinas de metal, entre diversos outros bens importados e exportados.Além de Uruguaiana, Santana do Livramento, Jaguarão, Chuí e o porto de Rio Grande são importantes pontos de desembaraço de mercadorias no Estado, lembrou o presidente do Unafisco (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil) no Rio Grande do Sul, Roberto Jorge da Silva. A categoria tem mil funcionários ativos e número semelhante de inativos no Estado. A adesão média à greve foi estimada em 60% pelo Unafisco - os servidores públicos precisam manter um mínimo de 30% do quadro em atividade. O presidente do sindicato disse que a categoria negociou a pauta salarial por cerca de seis meses com o governo federal, mas as tratativas foram interrompidas e não houve sinalização de retomada. A greve será avaliada em assembléia da categoria na quinta-feira.

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