MARCOS DE PAULA/ESTADÃO
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Greve de trabalhadores da Petrobrás paralisa operações em 11 Estados

Categoria tenta pressionar o conselho de administração da empresa, reunido nesta sexta-feira, a suspender o plano de desinvestimentos da ordem de US$ 57,7 bilhões até 2018

Antonio Pita, O Estado de S. Paulo

24 de julho de 2015 | 09h17

Atualizado às 12h53

RIO - Em protesto contra a venda de ativos da Petrobrás, os trabalhadores da estatal paralisaram na manhã desta sexta-feira, 24, as atividades em unidades operacionais de 11 Estados do País. Os grevistas também bloquearam rodovias de acesso às unidades e entregaram a operação de 14 plataformas de produção de petróleo às gerências das unidades, conforme informações dos sindicatos. Sem as equipes especializadas, as operações são realizadas por funcionários substitutos, entre administrativos e terceirizados. O movimento tem adesão de outras categorias, como metalúrgicos, afetados pelos cortes de investimentos decorrentes da crise na estatal.

De acordo com a Federação Única dos Petroleiros (FUP), foram paralisadas 14 plataformas de produção offshore na Bacia de Campos, no Rio. Entre as unidades que tiveram as operações entregues às gerências administrativas estão as localizadas nos campos de Roncador (P-55) e Barracuda (P-48), entre as principais unidades produtoras do País. Também houve paralisações em campos de produção em terra, sobretudo na Bahia, onde os trabalhadores dos campos de Candeias, Santiago, Bálsamo, Taquipe, Araçás/Imbé, Buracica, Miranga, cruzaram os braços, segundo o sindicato local.

A paralisação também atinge unidades operacionais como refinarias, gasodutos, terminais de transporte e regaseificação, termoelétricas e fábricas de fertilizantes e usinas de biocombustível. A paralisação teve início por volta das 20h de quinta-feira, quando houve a troca de turno em unidades de produção. Os sindicalistas realizaram piquetes para impedir a troca de turno e trancaram com cadeados algumas das entradas às unidades. Nas sedes administrativas, os sindicatos realizam piquetes e discursos de mobilização da categoria.

Em São Paulo, a paralisação atinge bases operacionais das principais refinarias do País, como a Replan e a Recap, além de usinas termoelétricas e terminais da Transpetro em Barueri, São Caetano e Guarulhos. Em Minas Gerais, a Termoelétrica Aureliano Chaves e a Usina de Biodiesel Darcy Ribeiro foram bloqueadas pelos grevistas, impedindo a troca de turnos.

No Rio, a paralisação é maior na unidade de Duque de Caxias, onde funciona a Reduc, a usina termoelétrica Leonel Brizola e também um terminal da Transpetro. No local, há adesão de outras categorias, como estudantes e metalúrgicos, que criticam o corte de empregos no setor naval diante da crise na empresa.

Há mobilizações também no Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul e Amazonas. Em Pernambuco, a paralisação ocorre em Suape, onde há terminal da Transpetro. Na Bahia, também houve paralisação na Refinaria Landulpho Alves (Rlam), além da sede administrativa e da Universidade Petrobrás, onde são oferecidos cursos de qualificação e formação às equipes da estatal. No Rio Grande do Norte, o sindicato chegou a bloquear a BR-304, que dá acesso à unidade de produção.

Em nota, a Petrobrás informou ontem que garantiria a produção e o abastecimento em todo o País durante a mobilização. A categoria tenta pressionar o conselho de administração da empresa, reunido nesta sexta-feira, no Rio, a suspender o plano de desinvestimentos da ordem de US$ 57,7 bilhões até 2018. Durante a reunião, os conselheiros vão deliberar a reestruturação da empresa e a venda de ativos da Transportadora Associada de Gás (TAG), que será desmembrada em dois conjuntos de ativos regionais. 

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