Tiago Queiroz
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Postos sentirão efeitos da greve na Petrobrás na próxima semana, diz sindicato

Representante de distribuidoras afirma que problemas mais graves ainda não foram vistos; greve entra no oitavo dia e afeta operações em 13 Estados

Vinicius Neder, Antonio Pita, O Estado de S. Paulo

05 de novembro de 2015 | 14h21

(Atualização às 15h18)

RIO - Problemas mais graves de abastecimento de combustíveis como consequência da greve dos petroleiros da Petrobrás, iniciada quinta-feira passada, deverão ser sentidos nos postos de gasolina apenas em meados da próxima semana, segundo o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom). Nesta quarta-feira, no fim do dia, a entidade fez um levantamento com as empresas associadas e não verificou "nenhum impacto perceptível", informou o diretor de Abastecimento, Luciano Libório.

"Hoje, não temos em tela preocupações para hoje, amanhã e sábado. Agora, a greve está afetando a produção nas refinarias e podemos ter problemas em meados na semana que vem", disse Libório à Agência Estado.

O sistema de distribuição de gasolina, diesel e outros combustíveis fica de certa forma imune a ações grevistas porque a maior parte do transporte dos produtos para as distribuidoras é feito por dutos, segundo Libório. Somente algumas poucas refinarias e produtos têm de ser abastecidos diretamente. 

Dessa forma, o Sindicom detectou problemas "pontuais" no interior da Bahia, onde o abastecimento é feito diretamente, e no Paraná, com diesel marítimo. "Mas é uma operação pequena", disse Libório.

Balanço. A greve dos petroleiros no País entrou no oitavo dia nesta quinta-feira, 5, com operações afetadas em pelo menos 13 Estados, segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP). O balanço da mobilização indica que além das 48 unidades marítimas que aderiram ao movimento, há paralisações e redução de atividade em refinarias e terminais de distribuição. Na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio, os sindicalistas estimam um prejuízo de R$ 1 milhão por dia com a redução na produção e a interrupção no fornecimento de matéria prima.

Na manhã desta quinta-feira, os sindicalistas fecharam a rodovia de acesso à Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na região metropolitana de Salvador, em protesto contra a prisão de dirigentes e lideranças grevistas. A estratégia do movimento, a partir de agora, será intensificar a articulação com outros movimentos sociais - uma manifestação está marcada para a sexta-feira, no Rio.

"É uma conscientização da sociedade e dos movimentos sobre a greve. Os movimentos já estão conosco na luta, como o movimento estudantil, a CUT, a Via Campesina", afirmou Deyvid Bacelar, representante dos trabalhadores no conselho de administração da Petrobras. "A gente cobra do governo um posicionamento em relação ao que foi proposto na campanha eleitoral, que não era o desmantelamento da companhia", completou.

Também pela manhã uma manifestação em São Caetano do Sul, no interior de São Paulo, foi reprimida pela Polícia Militar. Um grupo de trabalhadores e sindicalistas tentou impedir o acesso ao terminal de distribuição da Transpetro, mas foi retirada à força pelos policiais. Também os terminais da subsidiária de logística da estatal foram bloqueados em São Francisco do Sul, Guaramirim, Biguaçu e Itajaí, em Santa Catarina, e em Paranaguá, no Paraná.

A greve tem maior adesão na região do Norte Fluminense, onde se concentram as unidades de produção das bacias de Campos e Santos, as principais do País. O movimento já tem adesão de 48 unidades marítimas, sendo 30 completamente paralisadas. Desse total, 28 são plataformas de produção e duas são unidades de manutenção e serviços.

A greve também tem adesões na Bahia, com estimativa de redução à metade na produção de campos terrestres. No Rio Grande do Norte, a produção foi interrompida em 13 unidades, impactando em 50% a produção de óleo segundo a FUP. Há adesão também em unidades termoelétricas, de produção de biodiesel e terminais de distribuição. 

Refinarias. A preocupação dos sindicalistas é a operação nas refinarias. Em diversas unidades, os trabalhadores estão há cerca de sete dias confinados sem troca de turno para evitar a paralisação. Do lado de fora, os sindicatos mantêm equipes de protesto.

Na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), na região metropolitana do Rio, o sindicato informou que o carregamento de coque e a entrega de produtos químicos estão parados, provocando prejuízos diários de R$ 1 milhão à Petrobras. Há unidades paradas por falta de equipes de contingência, segundo o sindicato.

"O nível de petróleo na REDUC está cada dia mais baixo devido à greve na Bacia de Campos. A Petrobras nega, mas desde o início da greve o grupo vem sendo mantido preso dentro da refinaria. O jurídico do Sindipetro Caxias já denunciou o fato à Justiça do Trabalho e solicitou a presença de oficial de justiça para comprovar o confinamento forçado dos trabalhadores", informou o Sindicato.

Outras unidades também relatam confinamento das equipes de contingência montadas pela direção da Petrobras. Na Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, as equipes estão sem revezamento há três dias, segundo o sindicato local. Também na Renam, em Manaus, e na Rlam, na Bahia, há relatos de confinamento. No interior de São Paulo, as refinarias Recap e Replan estão sob controle das equipes de contingência, mas já há redução na produção."A redução se deve à estafa dos operadores, que estão confinados e sem troca de turno", avaliou Bacelar.

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