Nelson Antoine/Foto Arena
Nelson Antoine/Foto Arena

Greve dos bancários afeta 3,8 mil agências

Paralisação começa mais forte que em 2009; para a Fenaban, maioria está funcionando

Marcelo Rehder, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2010 | 00h00

No primeiro dia da greve nacional dos bancários, a paralisação atingiu pelo menos 3.864 agências em todas as capitais e inúmeras cidades do interior, segundo balanço divulgado no fim da tarde de ontem pela Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro (Contraf-CUT). O número equivale a cerca de 20% das 19,8 mil agências de todo o País.

Apesar de parcial, o movimento começou com mais força que no ano passado, quando os trabalhadores fecharam 3.585 agências. "Como em anteriores, a tendência é o índice de paralisação aumentar a partir do segundo dia, uma vez que os bancos até agora não acenaram com a retomada das negociações para apresentar uma proposta que contemple as reivindicações da categoria", avaliou o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro.

Em campanha salarial, os bancários decidiram ir à greve em assembleias que rejeitaram a oferta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) de reajuste de 4,29%, que somente repõe a inflação acumulada em 12 meses até agosto. Eles têm data-base em 1.º de setembro.

Os trabalhadores querem reajuste salarial de 11%, o que representa 5% de aumento real, além da reposição da inflação. Pedem ainda prêmio de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) equivalente a três salários mais R$ 4 mil e o fim das metas abusivas e do assédio moral, entre outras reivindicações.

A Fenaban não divulgou balanço. "O que a gente pode dizer é que existem agências bloqueadas, mas a maioria está funcionando", afirmou o diretor de negociações trabalhistas da entidade, Magnus Apostólico.

Aposentados. O negociador dos bancos fez questão de destacar que, mesmo parcial, a greve pode atrapalhar a vida de muitos aposentados. "Nossa preocupação é enorme, porque na sexta-feira temos o início do pagamento dos aposentados, que se estende por toda a semana seguinte."

Embora, para quem já tem cartão magnético, existam meios de sacar o dinheiro em caixas eletrônicos, normalmente o aposentado gosta de operar na própria agência. "O drama é para o aposentado que vai receber pela primeira vez e só pode sacar o dinheiro na agência determinada, porque precisa retirar o cartão", ressaltou o executivo.

A greve, por tempo indeterminado, atinge todos os 26 Estados e o Distrito Federal e todos os bancos, públicos e privados. Em carta aberta aos clientes, os bancários explicam os motivos por que estão em greve, buscando o apoio da sociedade.

"Para atingir lucros absurdos, os bancos massacram os bancários. Nos obrigam a vender produtos aos clientes, mesmo que eles não precisem. Exigem metas cada vez maiores, impossíveis de serem cumpridas. Por causa do assédio moral e da pressão insuportável, os bancários estão adoecendo cada vez mais. Mas os banqueiros não querem discutir medidas para preservar a saúde dos trabalhadores", destaca a carta.

Banqueiros e bancários fazem acusações mútuas sobre o motivo da greve. "Essa greve não faz o menor sentido", disse Apostólico. "Eles estão cometendo o mesmo erro que cometeram o ano passado, de interromper uma negociação, fazer uma assembleia sem uma proposta definida e votar uma greve em lugar de continuar negociando, como nós propusemos."

"Isso é um absurdo", revidou Cordeiro. "Avisamos que, se eles não apresentassem nenhuma proposta de aumento real, iríamos fazer assembleias no dia 28 e indicar greve a partir do dia 29. Ainda assim, mandamos documento para a Fenaban dizendo da nossa disposição para negociar e eles não responderam."

PRESTE ATENÇÃO

1. Reivindicação. Os bancários pedem reajuste salarial de 11%, o que representa 5% de aumento real.

2. Proposta. A Federação Nacional dos bancos aceita conceder reajuste de 4,29%, que repõe apenas a inflação acumulada em 12 meses até agosto.

3. Participação. Os bancários pedem também prêmio de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) equivalente a três salários, acrescidos de mais R$ 4 mil.

4.Outras reivindicações. Os trabalhadores incluíram no pedido aos bancos o fim das metas abusivas e o fim do assédio moral, entre outras reivindicações.

5.Aposentados. A greve pode atrapalhar o pagamento aos aposentados, a partir de amanhã.

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