Greve dos bancos pode afetar comércio do Dia da Criança

A greve dos bancos deve afetar as vendas do comércio para o Dia da Criança. De acordo com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o ritmo de consultas aos cheques deveria estar 5% superior ao registrado no mesmo período do ano passado e, segundo o superintendente do instituto de economia da Associação, Marcel Solimeo, este aumento é de apenas 1%.?Existe um ditado no comércio: venda adiada é venda perdida. Se o consumidor encontrar alguma dificuldade para comprar, com certeza isto estará refletido no resultado das vendas deste período?, afirma Solimeo, lembrando que, para alguns segmentos, como lojas de brinquedos e de roupas infantis, o Dia da Criança costuma apresentar um volume de vendas semelhante ao registrado no Natal.Na avaliação de Solimeo, a greve dos bancários já está afetando o comércio. ?Os reflexos são mais fortes para os setores em que o dinheiro é o meio de pagamento mais usado pelos consumidores. Exemplo disso são os supermercados. Além disso, apesar da tecnologia dos bancos, que acaba reduzindo os efeitos da greve, uma parcela muito grande de correntistas não está habituado aos meios eletrônicos?, afirma.Os dados mais recentes da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) mostram que, do total de operações bancárias, 18,9% são efetuadas nos caixas de agências, enquanto 6,2% são realizadas com a ajuda da Internet por clientes pessoa física. O auto-atendimento oferecido pelos bancos detém a maior parte dos negócios, com 32,3% do total (pessoa física e jurídica). De qualquer forma, o assessor econômico da Federação do Comércio de São Paulo (Fecomercio-SP), Fábio Pina, avalia que ?os efeitos negativos da greve dos bancários são minimizados pela tecnologia oferecida pelos bancos?. Além disso, segundo ele, há o fato de que nem todos os bancários aderiram a greve. ?Mas não há como negar que a greve prejudica algumas operações dos clientes e dificulta a administração das empresas?, diz.Solimeo prevê ainda que a greve dos bancários deve pegar em cheio também o movimento de turistas no feriado do próximo final de semana. ?Se a greve se prorrogar por mais tempo, estes efeitos negativos tendem a tomar outros setores da economia?, afirma. Como já vem acontecendo, Pina acredita que poderá haver desabastecimento de dinheiro em alguns caixas eletrônicos. Situação em outras regiõesNo Rio de Janeiro, a greve dos bancários já está prejudicando o movimento do comércio fluminense, de acordo com apuração do repórter Nilson Brandão Junior. Segundo estimativa da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), as vendas poderão encolher 9% este mês, prejuízo que aumentará se a greve se arrastar por mais tempo.A entidade informou que as duas primeiras semanas do mês concentram entre 60% e 70% das vendas. O consumidor tende a ficar retraído, com receios sobre a duração do movimento grevista, disse o presidente do conselho empresarial de varejo da ACRJ, Daniel Plá.Em Porto Alegre, segundo informações da Agência Brasil, a greve dos bancários já afeta o comércio da cidade. De acordo com o Sindicato dos Lojistas da cidade (Sindilojas), a redução no consumo já chega a 25% por causa da paralisação. O presidente do Sindilojas, José Alceu Marconato, explicou que os aposentados e a população de baixa renda são os que estão reduzindo mais o consumo por não contarem com facilidades eletrônicas. Ele disse que a greve, que completa 22 dias hoje, inibe aposentados e pensionistas de sacar dinheiro em função das filas quilométricas nos caixas eletrônicos.

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