FOTO TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO
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Greve dos caminhoneiros afeta escolas, hospitais, supermercados e postos de combustíveis

Sem um acordo entre governo e caminhoneiros, categoria mantém manifestações pelo 4º dia consecutivo

O Estado de S.Paulo

24 Maio 2018 | 17h26

A greve de caminhoneiros chega ao 4º dia e causa reflexos em diversos setores e atividades pelo país. Sem um acordo entre governo e caminhoneiros falta combustível, ônibus reduzem frota, hospitais suspendem procedimentos e supermercados limitam compras. 

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Diante da possibilidade de não conseguir receber mercadorias nos próximos dias, a rede de supermercados Carrefour limitou, em todo o País, as compras de seus clientes a cinco unidades de cada produto. Nas lojas da empresa, placas e avisos sonoros informam que  o limite foi estabelecido devido à greve dos caminhoneiros. 

+ Greve gera desabastecimento em supermercados e rede limita itens por compra

Nas grandes redes em Rio Grande do Norte, como Carrefour e Extra, por exemplo, produtos hortifrutigranjeiros começam a faltar. De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Alimentos no RN, Geraldo Paiva Júnior, essas redes compram esses produtos de outros Estados. 

"Por isso, já estão em falta. Os demais supermercados costumam comprar da Central de Abastecimento local, que também já apresenta problemas. Acredito que, a partir dessa sexta-feira, comece a faltar em mais supermercados. O nosso estoque de cereais e mercearia poderá ter baixas significativas a partir da segunda-feira que vem, caso a situação não mude", alertou.

Produtores de leite de todo o País sentem os efeitos da greve dos caminhoneiros e veem milhões de litros serem descartados. Na região de Passos, no Sul de Minas Gerais, mais de 500 mil litros já foram jogados fora porque, com a falta de transporte o produto se perde em pouco tempo e não há como utilizá-lo. 

Hospitais. A Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo enviou um e-mail aos presidentes da República, da Câmara e do Senado "alertando para o iminente desabastecimento dos hospitais e serviços de saúde, caso persista a greve dos caminhoneiros".

Segundo o presidente, Yussif Ali Mere Junior, os hospitais podem ficar sem o abastecimento de oxigênio, materiais, medicamentos e insumos em geral, como suprimentos para diálise. “Precisamos garantir com urgência o abastecimentos das redes de saúde para manter o atendimento à população. Trabalhamos com estoques reduzidos e necessitamos de abastecimentos regulares, como por exemplo, de 2 em 2 dias, 3 em 3 dias, no caso de reposição de oxigênio, afirmou.

+ Perguntas e respostas sobre a manifestação dos caminhoneiros

Combustíveis. A ameaça de faltar combustível fez postos aumentarem o preço da gasolina para até R$ 9,99 no Distrito Federal. Com isso, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) determinou que o Procon fosse às ruas para fiscalizar aumentos abusivos.

No Rio de Janeiro, depois de percorrer mais de 15 postos de combustível em busca de diesel para duas vans, os irmãos Marcio e Pedro Melo desistiram de abastecer no Posto Nova Maracanã Santa Filomena, na rua General Canabarro, no Maracanã. O motivo: o estabelecimento, que tem bandeira BR e funciona ao lado de uma das sedes da Petrobras, está cobrando R $5,20 pelo diesel que, no começo da semana, custava cerca de R$ 4,00.

Escolas. Alegando risco para o deslocamento dos alunos em razão da greve dos caminhoneiros, as prefeituras de Taubaté e Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, anunciaram a suspensão das aulas na rede municipal de ensino, nesta sexta-feira, 25. A retomada das atividades letivas, na segunda-feira, 28, vai depender da situação do abastecimento. 

No caso de Pindamonhangaba, foram suspensas também as atividades do Programa Família na Escola, previsto para sábado, 26. A medida atinge também as creches e núcleos de educação infantil. As aulas serão repostas entre 30 de junho e 18 de agosto.

Transporte. Apesar da frota de ônibus ter circulado normalmente na manhã desta quinta-feira, 24, a Prefeitura anunciou que autorizou as empresas de ônibus a rodarem com apenas 40% dos veículos no horário de entrepico (das 10 às 17 horas).

O secretário municipal de Mobilidade e Transporte João Octaviano Machado Neto admitiu ao Estado que, se não houver acordo dos caminhoneiros com o governo, a situação pode ficar extremamente crítica no fim da tarde e pode faltar combustível para os ônibus rodarem na sexta-feira. Empresas de transporte coletivo de Campinas, São José dos Campos e Sorocaba, três das maiores cidades do interior, reduziram a frota de ônibus em circulação, nesta quinta-feira, 24, para poupar combustível. 

Por conta da greve, as barcas que circulam no Rio serão reduzidas a partir da sexta-feira, 25. A CCR Barcas informou que adotou um plano de contingência para minimizar o impacto da diminuição da oferta de combustível que vai até a segunda-feira que vem, 28.

A frota de ônibus urbanos de Salvador também poderá parar a partir do próximo domingo, 27, quando deve acabar o estoque de combustível disponível para o transporte público, conforme informou o secretário de mobilidade urbana, Fábio Mota. 

+ WHATSAPP: como a paralisação dos caminhoneiros está afetando a sua vida?

Voos. No momento em que empresas aéreas adotam planos de contingência para amenizar os impactos da greve dos caminhoneiros, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) recomenda aos passageiros com voos marcados para os próximos dias que consultem as empresas aéreas antes de se deslocarem para os aeroportos até que a situação se normalize.

De acordo com a Anac, as reservas de combustível dos aeroportos são gerenciadas por cada operador aeroportuário em conjunto com as companhias aéreas e destaca que, "mesmo com a escassez de combustível nos aeroportos", todos os voos em operação seguem abastecidos conforme os regulamentos exigidos. /Ricardo Araújo, Fátima Lessa, Monica Bernardes, Luciana Dyniewicz, Anna Carolina Papp, Jéssica Alves, Renata Okumura, José Maria Tomazela, Gerson Monteiro, Rene Moreira, Mário Bittencourt, Leonardo Augusto, Heliana Frazão e Luciano Nagel

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