Greve dos caminhoneiros afeta setor agroindustrial de SC

A greve dos caminhoneiros nas Regiões Meio-Oeste e Oeste, que chegou ao segundo dia, já afeta o setor agroindustrial de Santa Catarina. Os prejuízos passam de R$ 8 milhões por dia, conforme o presidente da Coopercentral Aurora Alimentos, Mário Lanznaster. A Aurora, segundo Lanznaster, é a principal agroindústria brasileira prejudicada porque o movimento se concentra na região onde a cooperativa central mantém as principais plantas industriais. A falta de ração para os animais criou uma "situação dramática".

JÚLIO CASTRO, Agencia Estado

02 de julho de 2013 | 18h41

A base produtiva da Aurora é formada por um plantel permanente de 25 milhões de aves e 950 mil suínos alojados em mais de 15 mil estabelecimentos, pertencentes a 4.050 criadores de suínos, 2.600 criadores de aves e 8.500 produtores de leite. Esse plantel necessita diariamente de 3.500 toneladas de rações para nutrição animal - alimento que não está mais chegando ao campo. A falta de nutrientes pode provocar canibalismo e alta mortalidade, especialmente entre aves. Também não está chegando aos avicultores os 800 mil pintinhos/dia para reposição dos criatórios de aves.

Segundo o presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC), Marcos Zordan, pelo menos 20 milhões de aves e 800 mil suínos já estão sem alimentos. Como se não bastasse, 145 mil aves deixaram de ser industrializadas por dia na região de Chapecó. Caminhoneiros que aderiram a greve e que são responsáveis pelo transporte de suínos, aves, leite e ração na região, conforme o presidente da OCESC, ainda não dimensionaram os prejuízos que o movimento está proporcionando ao setor.

"Além do grande prejuízo para o setor, a redução da produção vai causar impacto no aumento do preço e a escassez dos produtos no mercado", alertou. Lembrou que no caso das exportações, a greve comprometerá o cumprimento dos contratos; os produtos ficarão fora da bitola exigida pelos países exportadores e a falta de ração poderá ocasionar o canibalismo entre os animais.

Zordan afirmou que a situação ficará crítica caso a paralisação permaneça até quinta-feira, 4, data escolhida para o fim da greve. Apelou para que pelo menos os caminhões responsáveis pelo abastecimento de alimentos para os animais voltem a abastecer as agroindústrias da região. Os caminhoneiros reivindicam subsídio no preço do óleo diesel, isenção de pagamento em pedágios, a criação da Secretaria do Transporte Rodoviário de Cargas e a imediata votação da Lei do Motorista.

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