SP vai isentar cobrança de pedágio por eixo suspenso se vias forem liberadas

Governador de São Paulo, Márcio França, informou que a medida custará em torno de R$ 50 milhões por mês, mas garantiu que as concessionárias rodoviárias serão compensadas

Letícia Fucuchima e Fabio Leite, O Estado de S.Paulo

26 Maio 2018 | 19h11

SÃO PAULO - Na tentativa de solucionar ou ao menos diminuir os efeitos da greve dos caminhoneiros em São Paulo, o governador Márcio França (PSB) afirmou neste sábado, 26, que irá suspender a cobrança de pedágio por eixo suspenso em todas as praças do Estado se os caminhoneiros liberarem totalmente as rodovias paulistas. Em coletiva, França informou que a medida custará em torno de R$ 50 milhões por mês e garantiu que as concessionárias rodoviárias serão compensadas.

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"Essa é uma demanda antiga da categoria que nós estamos dispostos a atender para demonstrar o nosso voto de confiança a eles e eles a nós. Eu conversei com o presidente Temer para que o governo federal possa compensar isso em São Paulo (...) A partir de agora, vamos chamar as empresas, entre hoje e amanhã, para conversar com elas e produzir essa compensação", disse.

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O anúncio foi feito logo após uma reunião com um grupo de caminheiros autônomos responsáveis por parte dos bloqueios nas estradas. Segundo França, o grupo tem até as 21 horas deste sábado para desobstruir a rodovia Régis Bittencourt, o que destravará também o Rodoanel, como mostra de que estão dispostos a cumprir o acordo. Se até a próxima segunda-feira, 28, eles desbloquearem o restante dos pontos, a partir de meia-noite de terça-feira, 29, passa a vigorar a suspensão da cobrança do pedágio por eixo suspenso.

Questionado sobre a escassez de recursos públicos federais para fazer frente a essa restituição, o governador declarou que, quando há "vontade política", sempre se arranja um jeito de encontrar o dinheiro. "Tenho a garantia da palavra, o governo federal deu a palavra", concluiu.

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Márcio França pontuou que a isenção da cobrança do eixo suspenso se dará apenas se houver o desbloqueio da rodovia Régis Bittencourt e do Rodoanel. "Eles [os caminhoneiros] estão demonstrando a confiança em nosso compromisso, e nós estamos demonstrando a confiança no compromisso deles (...) Criei essa relação de confiança com caminhoneiros, assumo o compromisso público em nome do governo de São Paulo", reforçou.

O governador disse ainda que haverá uma nova reunião neste sábado, às 21 horas, com o governo federal para encontrar soluções que estendam, em algum grau, os efeitos das medidas temporárias. O ministro Carlos Marun confirmou a reunião e já está na base aérea de Brasília para decolar para São Paulo.

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No acordo com os caminheiros autônomos França também prometeu colocar o Procon e a Polícia para fiscalizerem se o desconto de 10% no preço do diesel concedido pelo governo Michel Temer por 30 dias chegará até a bomba dos postos de gasolina de São Paulo. França também anunciou que vai suspender as multas de trânsito aplicadas a caminheiros que paralisaram as rodovias. Segundo o governador, a categoria também terá aumento da participação de representantes na Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), agência que regula as concessões rodoviárias, e o governo vai criar um grupo de trabalho para estudar a cobrança de IPVA diferenciado sobre os caminhões de motoristas autônomos a partir de 2019.

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