Júlia de Moraes / Acervo Pessoal
Júlia de Moraes / Acervo Pessoal

Greve dos caminhoneiros muda rotina de floriculturas e buffets de casamento

Com menos produtores conseguindo chegar, falta diversidade de flores na Ceagesp e floriculturas precisam restringir pedidos; espaços de casamento adiantaram as compras durante a semana

Raquel Brandão, O Estado de S.Paulo

26 Maio 2018 | 13h29

A paralisação dos caminhoneiros atingiu fortemente as floriculturas e buffets neste final de semana. Segundo relatos de comerciantes ao Estado, a oferta e diversidade de flores na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) diminuiu bastante nos últimos dias. Dona de uma floricultura no bairro Itaim Bibi, Júlia Junqueira de Moraes faz compras às segundas-feiras à noite e de madrugada todas as quintas-feiras. Nesta semana, o segundo dia de compra mostrou-se bem diferente. “Muito produtor faltou, especialmente quem é pequeno. Faltou variedade de plantas e alguns preços subiram”, explica.

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Em nota, a Ceagesp afirmou que a entrada de caminhões com carga ficou bem abaixo do que normalmente se registra às sextas-feiras, algo em torno de 2 mil veículos. Quem buscava frutas e flores encontrava pouca quantidade de produtos. Na madrugada de sexta-feira, apenas 170 dos 678 permissionários da feira de flores compareceram. Nesta sexta-feira, o caminhoneiro de plantas ornamentais Vicente Pires Batista, por exemplo, precisava vir a São Paulo, mas ficou preso no entreposto da Ceagesp de Sorocaba.

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Além da menor oferta de produtos, Júlia também encontrou preços mais altos. A flor astromélia, que normalmente custa entre R$ 8 e R$ 10 estava sendo vendida a R$ 16. Também florista, Kika Levi, que tem uma floricultura no bairro da Vila Madalena, anunciou para os clientes pelo perfil do Instagram de sua loja que poucos pedidos seriam atendidos por conta da greve.

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Jhonatan Conceição dos Santos, proprietário de uma floricultura no centro da capital fez adaptações. Em vez de ir ao Ceagesp quatro vezes nesta semana, foi apenas duas vezes, mais no começo da semana e para garantir as entregas, correu para abastecer o carro quando ainda havia combustível nos postos próximos. “Além do tanque cheio, comprei quase cinco galões de combustível extra, mas se a greve se estender pela semana que vem não sei como vou fazer”, conta.

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Festas. No mercado de casamentos, a crise no abastecimento também exigiu reorganização das empresas.  O espaço de eventos Casa Quintal, na região central da capital, criou planejamento especial para esta semana. O casamento que será realizado no sábado já está com o itens do cardápio começaram a ser comprados ainda na última terça-feira. A decoração também foi adaptada a flores mais resistentes, além do uso de câmaras frias, pelo fornecedor, para a preservação das flores.

O buffet Dell’Orso, na zona sul de São Paulo, também adiantou as compras de alimentos e recebeu antecipadamente itens de decoração e bar de seus fornecedores. As flores ainda estão pendentes, mas o decorador garantiu a entrega no sábado. “As noivas estão bem nervosas, mas estamos conseguindo adiantar todas as entregas”, afirma a proprietária do buffet Fabiana Dell’Orso. Na manhã deste sábado, Fabiana tentava afastar outro medo da noiva que casa nesta noite: o de que os convidados não consigam chegar. / Colaborou Epitácio Pessoa

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