Greve dos Correios mobiliza 8,9% dos funcionários

Levantamento foi realizado por meio da contagem de ponto, totalizando 10.373 pessoas, mas a Fentect alega que os Correios estão ‘jogando os números para baixo’  

Célia Froufe, da Agência Estado,

19 de setembro de 2012 | 14h36

BRASÍLIA -

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) informou nesta quarta-feira, 19, que o total de trabalhadores em greve hoje na companhia é de 10.737. O levantamento foi realizado por meio da contagem de registro de ponto, mas a Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos (Fentect) alega que os Correios estão "jogando os números para baixo". "É mentira da ECT dizer que os trabalhadores não aderem à greve", afirmou o secretário-geral da Fentect, Edson Dorta.

Considerando o dado dos Correios, o volume de funcionários em paralisação representa 8,9% do total. O porcentual dos que foram ao serviço é de 91,1%, conforme a empresa, bem maior do que a exigência feita há pouco pela juíza do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Maria Cristina Peduzzi, que determinou ao sindicato que garanta a prestação de serviços com participação de 40% dos trabalhadores em cada setor. Resta saber se o comparecimento é uniforme pelos setores da empresa, já que a ministra fixou 40% de presença em todas as áreas da companhia.

O secretário-geral da Fentect avaliou, durante audiência de conciliação no TST que terminou há pouco, que os Correios demonstraram sua posição "intransigente". A companhia rejeitou a proposta de reajuste salarial de 5,2% mais aumento linear para todos os trabalhadores de R$ 80,00 feita pelo TST, alegando que comprometeria o caixa da empresa. A oferta dos Correios era apenas de reajuste porcentual de 5,2%. "A ECT empurrou os trabalhadores para a greve. A categoria está irritada com os Correios", disse Dorta.

O secretário denunciou que a empresa passa por um processo de desmonte e terceirização, além de tentar levar o serviço de plano de saúde para o setor privado. "Com isso, a greve vai aumentar", ameaçou. Durante a conciliação, a Fentect alegou que, como o serviço de correio não foi incluído como essencial pela Justiça, não há motivo para determinar um porcentual mínimo de 40% de trabalhadores em atividade.

Dorta lembrou que, mesmo que aceitasse a proposta do TST, a decisão final teria de ser dos trabalhadores, por meio de uma assembleia. A Federação pede aumento salarial de 43%, alegando reduções proporcionais de salário desde 1994. "Teríamos que levar à assembleia, mas já adianto que a proposta foi muito rebaixada", disse.

O vice-presidente de Gestão de Pessoas da ECT, Larry de Almeida, garantiu que os serviços para a população não serão afetados com as paralisações atuais. "Podemos cumprir os serviços essenciais", afirmou. Ele alegou que a proposta da empresa busca garantir o emprego dos funcionários e manter os preços dos serviços acessíveis à população.

A ministra do TST disse que tinha esperança de que um acordo saísse hoje na conciliação. "Lamento, mas acho que a conciliação é a melhor saída", disse. Ela afirmou, porém, que nada impede que as partes cheguem a um determinador comum ainda que o processo de julgamento do dissídio de greve tenha começado a tramitar.

Com essa ação na Justiça, a ECT agora discutirá apenas com a Fentect. É que havia uma tentativa de negociação paralela com o Sindicato Unidos, que engloba os funcionários da ECT na capital de São Paulo; Bauru, interior paulista; e nos Estados do Rio de Janeiro e Tocantins. Esse grupo pede reajuste de 10,2% dos salários.

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