Greve é mantida nas usinas do Madeira

Sticcero revindica, dentre outras coisas, reajuste salarial de 30%; presidente do TRT autorizou o desconto dos dias não trabalhados e a demissão dos funcionários que participaram de depredações 

Nilton Salina, especial para O Estado de S. Paulo,

27 de março de 2012 | 18h43

PORTO VELHO - O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil de Rondônia (Sticcero) decidiu ignorar determinação judicial e prosseguir a greve nas usinas de Santo Antônio e Jirau, que estão sendo construídas no rio Madeira. O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) considerou a paralisação abusiva e ilegal e estipulou aos grevistas multa de R$ 200 mil por dia. A pauta de reivindicações só foi apresentada após o início do movimento.

O Sticcero revindica dentre outras coisas reajuste salarial de 30%. Nesta semana foram realizadas duas assembleias gerais. Nas proximidades do canteiro de obras da Usina de Santo Antônio a maioria dos funcionários presentes decidiu manter a greve. Em Jirau houve um empate e então a diretoria do sindicato decidiu manter a paralisação até a convocação de outra assembleia, que não tem data marcada.

A Usina Jirau conta com aproximadamente 21 mil trabalhadores, entre os contratados diretamente pela construtora Camargo Corrêa e por empresas terceirizadas. Sete mil desses funcionários estão em alojamentos localizados próximo ao local onde a hidrelétrica é construída. Eles não aderiram à greve iniciada no último dia 9, mas não estão indo trabalhar para evitar confusão com pessoas ligadas ao Sticcero, que estariam impedido o acesso ao canteiro de obras.

Na Usina de Santo Antônio cerca de 15 mil funcionários estão em greve desde o último dia 20. Inicialmente eles alegaram que pararam de trabalhar para demonstrar solidariedade à paralisação em Jirau, mas em seguida um grupo de 4 mil pessoas causou um tumulto que resultou na depredação de ônibus que transportam trabalhadores. Depois disso, o Sticcero também reivindicou 30% de reajuste salarial.

Até o momento não houve resposta à solicitação da Secretaria de Segurança, Defesa e Cidadania (Sesdec), que deseja o apoio da Força Nacional de Segurança para evitar conflitos nas usinas. No tumulto registrado na Usina de Santo Antônio, os policiais militares de Rondônia pouco puderam fazer para conter os cerca de 4 mil trabalhadores que danificaram ônibus e aterrorizaram colegas. Muitos estavam encapuzados.

A presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região, Vania Maria da Rocha Abensur, deferiu em parte as solicitações do Consórcio Santo Antônio. Ela autorizou o desconto dos dias não trabalhados e a demissão dos funcionários que participaram dos atos de vandalismo. Quando as duas usinas estiverem em operação, terão capacidade para gerar 6.600 MW. As obras fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).FIM

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.