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Greve em aeroportos só afeta cargas

Paralisação de funcionários da Infraero contra privatização em Guarulhos, Brasília e Viracopos não compromete terminais de passageiros

TATIANA FÁVARO, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2011 | 03h04

O primeiro dia de greve dos funcionários da Infraero não comprometeu os terminais de passageiros dos aeroportos internacionais de Brasília, de Guarulhos, na Grande São Paulo, e de Viracopos, em Campinas, interior paulista. Mas afetou de forma intensa o serviço de carga de Viracopos, o principal do País, com volume diário de 800 toneladas de mercadoria.

A greve dos aeroportuários, iniciada à zero hora de ontem, teve adesão de 25% a 30% dos funcionários nos três aeroportos, informou a Infraero. Em protesto contra os planos do governo de privatizar os três aeroportos, os trabalhadores prometem ficar de braços cruzados por 48 horas.

Segundo a Infraero, os três aeroportos operaram com normalidade, com índices de atraso e cancelamento dentro da média. O aeroporto de Brasília havia registrado sete cancelamentos e sete atrasos entre os 112 voos programados. No Rio de Janeiro, o Galeão registrou quatro atrasos e dois cancelamentos, e o Santos Dumont teve quatro atrasos e cinco cancelamentos.

Em São Paulo, Congonhas teve dois atrasos e cinco cancelamentos, além de nove atrasos e quatro cancelamentos em Guarulhos. No Aeroporto de Viracopos, em Campinas, os trabalhadores paralisaram quase 100% do terminal de cargas. Só pela manhã, havia 800 toneladas paradas no local, segundo a Infraero e o Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina).

Viracopos tem 923 funcionários da Infraero, dos quais 750 ficam no terminal de cargas. Ontem, somente quatro encarregados trabalharam no local, de acordo com o sindicato. "Temos consciência de que determinado tipo de carga não pode ficar parada, então tem gente para cuidar das cargas perecíveis", disse Severino Antônio de Macedo, diretor de conselho fiscal do Sina.

Ponto sensível. O terminal de Viracopos movimenta um volume considerável de carga. Em setembro, recebeu 9.715 toneladas de carga para exportação e 14.821 toneladas de importação, informou a Infraero. As cargas vão de componentes eletrônicos a animais e veículos automotores.

Ontem, em Viracopos, foram cancelados 3 dos 70 voos programados até as 14 horas, além do registro de um atraso. Segundo a Infraero, o motivo não foi a greve, e sim problemas "corriqueiros" dentro das companhias. Em São Paulo, a juíza da 11.ª Vara do Trabalho Patrícia Birchal Becattini decidiu extinguir o processo que tentava impedir a greve dos aeroportuários. A Advocacia-Geral da União (AGU) e a Infraero tinham entrado com uma ação para garantir que 90% dos trabalhadores aeroportuários estivessem em serviço durante a paralisação da categoria.

"A pretensão dos autores é nitidamente restringir o exercício do direito constitucional de greve dos aeroviários, evitando excessos e abusos", afirmou a juíza. Porém, segundo ela, tal pedido pressupõe o ajuizamento de ação própria prevista constitucionalmente, ou seja, o dissídio de coletivo de greve. / COLABOROU MARCELO REHDER

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