Greve em canteiro da Belo Monte continua

PM ocupa pontos estratégicos da obra  para evitar depredação; trabalhadores reivindicam o cumprimento de acordos feito com os responsáveis pelo consórcio

Fátima Lessa, especial para O Estado de S. Paulo,

30 de março de 2012 | 19h13

CUIABÁ - Vários protestos marcaram o segundo dia de greve dos trabalhadores do Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM) responsável pelas obras da Usina Belo Monte que está sendo erguida na Volta Grande do Rio Xingu, Altamira do Pará. Os trabalhadores, cerca de cinco mil, se concentraram em frente à Concha Acústica. A situação é tensa. Policiais Militares ocupam pontos estratégicos da obra, inclusive o prédio Espaço da Norte Energia para evitar depredação. Ônibus foram impossibilitados no início da manhã de seguir viagem.

Os trabalhadores reivindicam o cumprimento de acordos feito com os responsáveis pelo consórcio. A greve dos trabalhadores começou dois dias depois da morte do operário da empresa terceirizada Dandolini e Peper, Orlando Rodrigues Lopes, no Sítio Pimental, canteiro de obra onde estão sendo construídos os canais. O corpo foi velado em Altamira onde o trabalhador morava. O corpo foi sepultado nesta sexta-feira. Em nota o Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM) informou que tomou as providenciais de apoio à família e junto aos órgãos legais.

Dentre as reclamações dos trabalhadores constam aumento salarial, redução dos intervalos entre as baixadas (visita dos trabalhadores a suas famílias) de 6 pra 3 meses, o não-rebaixamento do pagamento e solução de problemas com a comida e água. A falta de segurança também é destacada pelos trabalhadores.

As obras de construção da Usina de Belo Monte estão distribuídas em cinco canteiros: Sítio Pimental, Sítio Belo Monte, Sítio Porto e Acessos a 27 quilômetros de Altamira e Sítio Canais e Diques.

Paralisações - Em novembro de 2011, aconteceu um dos maiores protestos de trabalhadores do CCBM no principal canteiro da usina, o Sitio Belo Monte. Cerca de 1.800 trabalhadores cruzaram os braços denunciando condições de trabalho, descumprimentos de acordos salariais.

Recursos

O Ministério Público Federal, através do procurador regional da República da 1º Região, Odim Brandão Ferreira, questionou a decisão que, por 2 votos a 1, vencida a relatora Selene Almeida, negou o direito da consulta prévia aos índios no caso da hidrelétrica de Belo Monte ano passado. O MPF entrou com embargos de declaração, um tipo de recurso judicial em que se busca esclarecer omissões ou obscuridades no texto da decisão contestada.

Teles Pires - No dia 28 de março, a juíza federal de Mato Grosso Célia Regina Ody Bernardes declarou inválida a licença de instalação da usina hidrelétrica Teles Pires, que está sendo erguida no rio Teles Pires, na divisa de Mato Grosso com o Pará. A juíza suspendeu também todas as obras, "em especial as detonações de rochas naturais que vêm ocorrendo na região do Salto Sete Quedas", local considerado sagrado pelos índios Kayabi, Munduruku e Apiaká.

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