Greve em complexo portuário da França ainda bloqueia refinarias

Atividades portuárias no país são afetadas pelo 33º dia consecutivo

Gabriel Bueno, da Agência Estado,

29 de outubro de 2010 | 09h23

Uma greve em Fos-Lavera, no sul da França, o terceiro maior complexo portuário a operar com petróleo no mundo, entrou em seu 33º dia consecutivo nesta sexta-feira. Com isso, as operações de refino do país estão bloqueadas, apesar de a gigante do setor Total informar que as últimas três fábricas atingidas por uma greve devem retomar o trabalho no meio do dia.

"Os trabalhadores no terminal de petróleo ainda estão em greve", disse uma porta-voz do complexo Fos-Lavera. As atividades portuárias na França são afetadas pelas greves nacionais dos trabalhadores contra a reforma previdenciária e também contra um projeto de reestruturação no complexo localizado em Marselha.

As greves em refinarias e portos causaram ampla falta de combustível no país nas duas últimas semanas, com muitos postos não tendo estoque do produto para vender.

No terminal portuário de Le Havre, no norte da França, que também lida com petróleo, os trabalhadores votaram o fim de uma paralisação. "Todo o tráfego foi retomado no porto Le Havre, petróleo incluído", disse um funcionário do porto nesta sexta-feira.

Entre as refinarias, a ação grevista parece perder força. "A ação (grevista) deve acabar em todas as fábricas da Total até o meio do dia. As entregas do produto refinado devem ser retomadas em breve na Normandia e os passos preliminares para o reinício da produção devem ser tomados em Flandres hoje", disse um porta-voz da Total. As fábricas de Flandres e da Normandia ficam no norte francês.

As refinarias da Total onde os trabalhadores seguem de braços cruzados são as de Grandpuits, perto de Paris, Feysin, próxima de Lyon, no sul francês, e Donges, no oeste.

A central sindical Confederação Geral do Trabalho (CGT) garantiu que as operações nas refinarias não serão retomadas rapidamente. Segundo um membro da CGT, mesmo aqueles que encerraram suas greves em refinarias não conseguiriam trabalhar normalmente, por causa da falta das entregas vindas do complexo portuário de Fos-Lavera. Segundo um porta-voz do CGT, "quase nenhuma" das refinarias cujos funcionários decidiram encerrar a greve tem petróleo suficiente para reiniciar a produção.

Os trabalhadores protestam contra a reforma previdenciária defendida pelo governo do presidente Nicolas Sarkozy, que entre outros pontos amplia a idade mínima para a aposentadoria de 60 para 62 anos. As informações são da Dow Jones.

 

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