Nacho Doce|Reuters
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Greve em fornecedor obriga cinco fábricas de montadoras a parar

Com os 700 funcionários sem trabalhar há 15 dias, fabricante de forro para tetos de veículos paralisou, por falta de peças, a produção em unidades da GM, da Toyota e da Ford; até agora, montadoras já tiveram de dispensar cerca de 11 mil empregados

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2015 | 05h00

Uma greve que já dura 15 dias na empresa de revestimentos para tetos de veículos Intertrim, de Caçapava (SP), já paralisou, desde quarta-feira, 25, cinco fábricas da Ford, General Motors e Toyota por falta do componente. Outras fabricantes devem ser prejudicadas na próxima semana, caso a paralisação persista.

O problema ocorre num momento em que a maioria das empresas está com a produção desacelerada em razão da queda nas vendas, mas também afeta marcas que operam a plena capacidade, como a Toyota.

A fabricante japonesa está com a produção do sedã Corolla parada em Indaiatuba (SP) desde quarta-feira à tarde. A unidade que produz o compacto Etios em Sorocaba (SP) também suspendeu atividades na quinta-feira e nesta sexta-feira, 27. A empresa deixa de fabricar cerca de 620 automóveis por dia.

A Ford interrompeu na quinta-feira e a produção do Fiesta em São Bernardo do Campo (SP) e vai repetir a medida nesta sexta-feira. Já a General Motors parou na quinta-feira a filial de Gravataí (RS), que segue sem operar nesta sexta-feira, assim como a linha da picape S10, em São José dos Campos (SP). Ao todo, foram dispensados cerca de 11 mil trabalhadores.

Briga sindical. A Intertrim, do grupo espanhol Antolin, tem 700 funcionários e fornece para todas as montadoras, exceto a Fiat. “Atendemos 60% do mercado brasileiro de revestimento para tetos”, diz o diretor de Recursos Humanos, Osvaldo Pires. Outra empresa do grupo, a Trintec, também produz peças automotivas com tecidos.

O julgamento da greve pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) está previsto para ocorrer no dia 9 e, até lá, a empresa não pretende negociar com as lideranças do movimento.

Pires afirma que há uma tentativa do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos de tomar a representatividade dos trabalhadores da fábrica das mãos do Sindicato dos Têxteis de Taubaté, que os representa desde o início das operações da empresa no País, em 1996.

“Já tínhamos fechado um acordo salarial com o Sindicato dos Têxteis, com reajuste de 10,33% e outros benefícios, mas o pessoal dos Metalúrgicos interferiu e passou a comandar a greve, com apoio de alguns poucos funcionários, fazendo barricadas na porta da fábrica e impedindo o pessoal de entrar, inclusive com violência”, diz Pires.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Antonio Ferreira Passos, diz que a empresa é uma autopeça, “e a prova disso é que está parando várias montadoras”. Segundo ele, os trabalhadores querem a mudança da representatividade porque os metalúrgicos têm melhores salários e mais benefício.

Para a presidente do Sindicato dos Têxteis, Iranilda Andrade da Silva, o que está ocorrendo é uma ilegalidade. “A representatividade dos trabalhadores é nossa e isso foi confirmado em audiência na Delegacia Regional do Trabalho (DRT) na terça-feira”, diz. A empresa também obteve uma ordem de interdito, que proíbe os manifestantes de impedirem a entrada de trabalhadores, mas isso não está sendo cumprido.

“Não entendo porque a polícia não consegue tirar esse pessoal de lá, mesmo tendo essa ordem”, diz Iranilda. Segundo ela, o pessoal do sindicato opositor age com violência e os trabalhadores estão com medo. “A entrada da fábrica virou um cenário de guerra”.

Pires afirma que, até terça-feira, a produção operava com 30% de sua capacidade, mas nos últimos dias foi totalmente paralisada. “Pedimos para os trabalhadores ficarem em casa por questão de segurança.”

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