Greve entra no 4º dia e Correio faz mutirão

Empresa diz que 91% não aderiram, mas contrata temporários para pôr entrega em dia

ANNE WARTH , TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2012 | 03h09

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) vai fazer um mutirão no sábado e no domingo para pôr em dia a entrega de cartas e encomendas à população. A greve está hoje em seu quarto dia e, segundo os Correios, 84% das cartas e encomendas dos dois primeiros dias de paralisação foram entregues no prazo - o equivalente a 58,7 milhões.

Para atenuar os efeitos da greve, a empresa vai contratar trabalhadores temporários, realocar empregados da área administrativa e pagar horas extras aos funcionários. Segundo os Correios, 91% dos 120 mil empregados trabalharam normalmente ontem e somente 10.938 aderiram à paralisação. O balanço foi feito com base no sistema eletrônico de ponto.

A empresa informa que as agências estão abertas e funcionam normalmente, e os serviços de entrega estão disponíveis, inclusive o Sedex. Estão suspensos os serviços com hora marcada - Sedex 10, Sedex 12, Sedex Hoje e Disque-Coleta - destinados para São Paulo, Tocantins, Distrito Federal, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. No Rio, a suspensão atinge os serviços Sedex Hoje e o Disque-Coleta.

Os Correios têm a expectativa de que o dissídio coletivo de greve seja julgado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) na semana que vem. As partes têm até as 12h de segunda-feira para apresentar documentos e alegações. Já o Ministério Público do Trabalho terá 48 horas para se manifestar. Só então o TST deve marcar a audiência sobre o tema.

Ontem, a greve nos Correios foi criticada pela ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. Ela argumentou que "há limites orçamentários" e que a situação econômica não é favorável à concessão de novos reajustes. "Eles já fizeram greve no ano passado, tiveram reajuste e, embora todos tenham direito de reivindicar, temos de saber que tem limites", comentou.

Ela cobrou a aprovação, pelo Congresso Nacional, de uma legislação regulando o direito de greve no funcionalismo público. "Vivemos em uma democracia, mas não podemos ter abusos. O direito de greve não pode ferir o direito do cidadão de ter acesso aos serviços públicos."

Gleisi acrescentou que os abusos cometidos pelos grevistas este ano terão reflexo na decisão do Legislativo.

Bancários. A greve nacional dos bancários, que começou na terça-feira, continua. No Rio, a mobilização aumentou de quinta-feira para ontem, quando a Federação dos Bancários do Rio de Janeiro e Espírito Santo contabilizou 1.420 agências fechadas por falta de funcionários nos dois Estados. Na quarta-feira, eram 1.229.

Somente no município do Rio são 560 agências paradas, de um total de cerca de 3 mil. Em Brasília, os três prédios administrativos do Banco do Brasil foram fechados pelos sindicalistas.

Nem mesmo o presidente do banco, Aldemir Bendine, conseguiu dar expediente na sede ontem. / COLABOROU V.N.

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