Greve faz TAP suspender voos para Portugal

Embarques de cidades do Brasil ontem e durante o dia de hoje foram afetados pelo movimento

CLEIDE SILVA, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2011 | 03h07

A companhia aérea TAP suspendeu ou atrasou todos os voos que partiriam do Brasil na noite de ontem e durante o dia de hoje para Portugal ou com escala no país em razão da greve geral marcada para esta quinta-feira.

O protesto é contra medidas de austeridade adotadas pelo governo e deve afetar voos comerciais de todas as companhias que operam no país, os transportes públicos e diversos serviços.

A TAP é líder no mercado brasileiro de transporte aéreo de passageiros com destino à Europa, com quase 30% das viagens. Foram afetados 12 voos, de um total de 14 que partem diariamente do País rumo à Lisboa.

Segundo porta-voz da TAP, das 12 aeronaves previstas para decolarem de São Paulo, Campinas, Porto Alegre, Rio, Brasília, Belo Horizonte, Fortaleza, Natal, Salvador e Recife a partir das 22 horas de ontem, dois foram cancelados e os demais partiriam com atraso de até 20 horas.

O objetivo é evitar a chegada em Lisboa hoje, quando os serviços de controle de tráfego aéreo estarão prejudicados pela greve. A TAP não divulgou o número de passageiros prejudicados. Os que seguiriam para Portugal foram orientados a trocar a data da viagem ou o horário de embarque. Parte dos que iriam para outras regiões da Europa foi remanejada em outras companhias.

Foram suspensos os voos que partiriam de Porto Alegre e de Campinas. Os cerca de 50 passageiros que embarcariam no aeroporto de Viracopos às 12h vão seguir de ônibus até São Paulo (Cumbica) e de lá embarcam às 17h40 rumo a Portugal, com previsão de chegada amanhã, quando o protesto já terá acabado.

Em nota, a TAP informou que "trabalha intensamente com o objetivo de minimizar os impactos decorrentes dessa greve, e fará todos os esforços que estiverem ao seu alcance para atenuar esta situação adversa".

Austeridade. A greve foi convocada pelas duas maiores centrais sindicais locais, a CGTP e a UGT e deve afetar os transportes públicos, voos comerciais e serviços como educação e saúde. O protesto é contra a política de austeridade imposta pelo plano de resgate concedido ao país pela União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Os organizadores esperam forte mobilização dos trabalhadores de setores público e privado.

"Vamos ter uma grande greve, que deve ser compreendida como um sacrifício indispensável para encontrar os caminhos do futuro", disse Manuel Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP. Os sindicatos preveem cerca de 30 manifestações em todo o país, particularmente em Lisboa, com o apoio do movimento de jovens afetados pela precariedade do mercado de trabalho e pelo desemprego.

O plano de austeridade do governo português prevê o maior corte em gastos públicos dos últimos 50 anos, com meta de zerar o déficit do país até 2015. O pacote inclui a privatização de estatais, entre elas a TAP. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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