Luciana Dyniewicz/Estadão
Luciana Dyniewicz/Estadão

Greve gera desabastecimento em supermercados e rede limita itens por compra

Como resultado, alguns itens tiveram o preço elevado; em algumas lojas do Carrefour, como medida preventiva, compra está limitada a cinco unidades do produto

O Estado de S.Paulo

24 Maio 2018 | 15h43

A greve dos caminhoneiros, que chegou ao seu quarto dia nesta quinta-feira, já gera desabastecimento não só em postos de combustível, mas nas prateleiras de alguns supermercados pelo País.

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Nas grandes redes em Rio Grande do Norte, como Carrefour e Extra, por exemplo, produtos hortifrutigranjeiros começam a faltar. De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Alimentos no RN, Geraldo Paiva Júnior, essas redes compram esses produtos de outros Estados. "Por isso, já estão em falta. Os demais supermercados costumam comprar da Central de Abastecimento local, que também já apresenta problemas. Acredito que, a partir dessa sexta-feira, comece a faltar em mais supermercados. O nosso estoque de cereais e mercearia poderá ter baixas significativas a partir da segunda-feira que vem, caso a situação não mude", alertou.

Em Mato Grosso, que registrou até a manhã desta quinta-feira 25 pontos de bloqueios, o protesto já afeta o abastecimento  do Ceasa – de onde são distribuídos frutas, legumes e verduras para todo o Estado, no atacado e varejo. Em nota, a Associação de Supermercados de Mato Grosso informou que já identificou alguns itens que podem sofrer desabastecimento, como carne e verduras. Em Sinop (418 quilômetros de Cuiabá), o estoque de combustível para aviões tem o abastecimento ameaçado, com restrições na aviação executiva (voos privados). Em Lucas do rio Verde (354 quilômetros de Cuiabá), um caminhão foi incendiado, segundo sites locais.

O medo de que a greve afete o funcionamento de órgãos públicos, escolas e até do comércio e o sistema de transporte público – provoque o desabastecimento de alimentos na Região Metropolitana do Recife muitos consumidores foram até a CEASA para comprar frutas, verduras e outros mantimentos. Dos 700caminhões que deveriam descarregar produtos no local nesta manhã, apenas 300, segundo a direção da Ceasa, conseguiram chegar.

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Como resultado, alguns itens tiveram o preço elevador, a exemplo da batata inglesa, cujo quilo passou de R$ 4,90 para R$ 6,20. Foi o caso da dona de casa Lúcia Dias, 52. "No mercadinho perto de minha casa já não tinham alguns produtos e por isso eu vim na Ceasa tentar comprar. Consegui, mas com o preço mais alto que o normal", comentou.

Compras limitadas. Diante da possibilidade de não conseguir receber mercadorias nos próximos dias, a rede de supermercados Carrefour limitou, em todo o País, as compras de seus clientes a cinco unidades de cada produto. Nas lojas da empresa, placas e avisos sonoros informam que  o limite foi estabelecido devido à greve dos caminhoneiros. Segundo a assessoria de imprensa da companhia, a medida é preventiva.

Na manhã desta quinta-feira, não faltavam itens nas gôndolas do Carrefour do Bairro do Limão, na zona oeste de São Paulo, e vários fornecedores preenchiam as prateleira. Os consumidores também não se mostravam preocupados nem compravam  mercadorias para estocar. A dona de casa Maria Alzira Serafim, de 36 anos, disse que não compraria mais por causa da paralisação dos caminhoneiros.  "Ouvi as notícias e fiquei preocupada com a greve, mas nem pensei em levar mais. A gente espera que resolvam isso (a greve) logo." 

Em nota, a rede informou que está acompanhando atentamente os movimentos dos caminhoneiros e a negociação com o governo. "O abastecimento segue sem muitos problemas em suas lojas em função dos volumes de estoques e que busca alternativas para atender o maior número de clientes. A empresa já está em contato com fornecedores locais para continuar garantindo o abastecimento." / Ricardo Araújo, ​Fátima Lessa, Monica Bernardes, Luciana Dyniewicz, Anna Carolina Papp e Renata Okumura

 

 

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