Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Análise: Greve geral dificulta, mas não inviabiliza aprovação de reformas

Um dos riscos é que haja adiamentos no cronograma de votação das medidas

Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2017 | 14h50

A greve geral desta sexta-feira dificulta, mas não inviabiliza as reformas do presidente Michel Temer. Os protestos pelo Brasil e a maior discussão na sociedade das mudanças na Previdência e nas leis trabalhistas vão aumentar a pressão para o governo sentar-se à mesa de negociação e novas concessões podem ser feitas. A avaliação é da consultoria de risco inglesa Control Risks, que abriu recentemente uma unidade de avaliação política no Brasil.

O diretor e analista político da Control Risks, Thomaz Favaro, afirma que o cenário-base da consultoria é que tanto a reforma da Previdência como a trabalhista serão aprovadas no Congresso. Mas a greve, os protestos e a maior pressão da sociedade vão exigir um trabalho redobrado do governo, principalmente na base aliada, onde ainda não há um consenso total sobre a Previdência. Um dos riscos é que haja adiamentos no cronograma de votação das medidas.

"A greve dificulta, mas não inviabiliza as reformas", diz Favaro. Para o analista político, o governo subestimou o poder de mobilização dos sindicatos. Esperava-se maior oposição da CUT e dos sindicatos mais ligados à esquerda, mas não de centrais sindicais mais próximas de partidos da base do governo, como a União Geral dos Trabalhadores (UGT), próxima ao PSD do ministro Gilberto Kassab. "A greve surpreendeu e mostrou que o poder de mobilização dos sindicatos tinha sido subestimado", afirma Favaro.

A aprovação da reforma trabalhista esta semana pelos deputados, com 296 votos a favor, mostrou que há um consenso entre os congressistas da necessidade de mudanças para o Brasil voltar a crescer, mas não é uma garantia de que todos estes votos vão para a Previdência, avalia o analista da Control Risks. Para ele, o placar até surpreendeu, mas "cada caso e um caso" e o governo terá de fazer novas negociações para a Previdência.

"É muito provável que tenha novas concessões", disse ele, destacando que a flexibilização do texto já era esperada desde o início. "Na reforma da Previdência, temos visto que há maior resistência, incluindo na base do governo." Favaro avalia que a probabilidade de a reforma da Previdência ser aprovada está entre 60% e 65%. O cenário da consultoria é que o texto final não seja muito esvaziado e tenha impacto para melhorar as contas fiscais do Brasil.

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