David Fernández/EFE
David Fernández/EFE

Greve geral é convocada na Argentina

Paralisação de 36 horas contra a política econômica de Macri e o socorro do FMI deve afetar voos, serviços públicos e transportes em geral

Gabriel Bueno da Costa, O Estado de S.Paulo

24 Setembro 2018 | 21h43

BUENOS AIRES - Lideranças sindicais contrárias ao modelo econômico e ao ajuste conduzido pelo presidente argentino, Mauricio Macri, convocaram para esta terça-feira, 25, no país uma greve geral de 36 horas. Com a paralisação, devem ser afetados voos, inclusive os internacionais, serviços públicos, transporte público em geral, bancos e coleta de lixo.

Dirigente do sindicato dos caminhoneiros, Pablo Moyano afirmou em entrevista que a paralisação também é contra o acordo do país com o Fundo Monetário Internacional (FMI), segundo a agência estatal Télam.

O governo Macri chegou a um acordo com o FMI para tentar acalmar o quadro de tensão nas finanças locais, sobretudo no câmbio. Atualmente, as duas partes revisam o acordo, um pacote de ajuda de US$ 50 bilhões, montante que pode ser elevado. Segundo o jornal La Nación, que citou fontes relacionadas ao assunto, o governo argentino negocia uma ampliação entre US$ 3 bilhões e US$ 5 bilhões adicionais ao acordado em junho.

A publicação também apontou que o ministro da Fazenda argentino, Nicolás Dujovne, considera esse montante suficiente para cobrir os vencimentos de dívida de 2019 e de 2020.

Os sindicatos se mostram contrários ao ajuste promovido pelo governo Macri, que inclui o corte de subsídios, além de demissões no setor público. Lideranças de trabalhadores pedem mudanças na política econômica, o fim das demissões e suspensões de contratos, um freio para as importações e um recuo no orçamento almejado para o próximo ano e no acordo com o FMI.

Também reclamam do impacto sofrido pelos trabalhadores com a alta inflação, em um quadro de aumento no desemprego e na pobreza.

Diante desse clima de insatisfação, ainda na segunda-feira, 24, vários sindicatos, movimentos sociais e partidos oposicionistas fizeram na Plaza de Mayo um protesto contra o governo.

A agência Télam lembra que, com a paralisação convocada para terça-feira, Macri tem enfrentado uma greve geral nacional a cada oito meses. O presidente assumiu em 2015 e pode tentar a reeleição no próximo ano.

Socorro. Em entrevista na segunda-feira, para a Bloomberg TV em Nova York, Macri disse que o país estava perto de atingir um acordo final com o FMI, e que havia “chance zero” de que a Argentina daria calote em sua dívida externa no próximo ano.

A Argentina fechou um acordo de financiamento com o FMI depois que uma severa seca minou o setor de exportação de grãos do país e uma corrida contra o peso elevou o medo de que a Argentina poderia ser incapaz de pagar suas dívidas internacionais no ano que vem.

Diante das previsões do clima favoráveis, Macri disse que os exportadores de grãos poderiam “atingir novos níveis de produção” e que o país poderia ter mais quatro ou cinco meses de recessão antes que uma recuperação impulsionada pelas exportações entrasse em cena. Segundo o presidente argentino, o país pode se recuperar nos próximos 15 meses.

O presidente argentino disse ainda que o país não vai impor controle cambial, como já fez no passado. Macri ressaltou que seu governo está comprometido com as reformas necessárias para o crescimento. “Não há plano B” para a economia, afirmou, acrescentando que a Argentina está mais forte hoje do que um ano atrás. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Mais conteúdo sobre:
Argentina [América do Sul] greve

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.